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Na crise, matrizes enviam R$ 60 bi para montadoras no Brasil

Investimentos se concentram em novos produtos e modernização das fábricas

Economia|Do R7

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Indústria automobilística brasileira recebeu o equivalente a R$ 60 bilhões nos últimos anos
Indústria automobilística brasileira recebeu o equivalente a R$ 60 bilhões nos últimos anos

Nos últimos dois anos, a indústria automobilística brasileira recebeu das matrizes US$ 18,7 bilhões, o equivalente a R$ 60 bilhões pela cotação atual. Esses recursos chegaram como empréstimos das matrizes para as filiais e como investimentos por meio do aumento de participação no capital. O dinheiro tem ajudado as empresas a cobrirem despesas como salários, compra de peças e investimentos.

Até agosto, conforme dados do BC (Banco Central), o investimento direto no País no setor de veículos automotores, reboques e carrocerias foi mais que o triplo do registrado em 2012 e 2013, quando a venda de veículos foi recorde. Nos dois anos pré-crise, o setor recebeu R$ 17,7 bilhões (US$ 5,6 bilhões).

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Parte do dinheiro recebido nos últimos meses deve bancar os investimentos mais urgentes dentro dos planos recentes anunciados pelas montadoras, que somam R$ 16,8 bilhões.

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Os dados do BC mostram também que os valores de empréstimos intercompanhias (concedidos pelas matrizes às filiais e que devem ser devolvidos posteriormente) são superiores aos ingressos em forma de participação no capital (dinheiro a fundo perdido). Para analistas, esse movimento mostra que as matrizes estão socorrendo as subsidiárias, mas acreditam na recuperação do mercado e na capacidade das empresas em honrar as dívidas futuramente.

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"Os empréstimos intercompanhias são a melhor forma de financiar os desenvolvimentos da indústria, uma vez que, embora os juros locais estejam caindo, ainda são elevados se considerarmos os padrões internacionais", diz o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Antonio Megale.

Novos produtos

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A maior parte dos investimentos anunciados nos últimos meses para projetos até 2022 está sendo direcionada ao desenvolvimento de novos produtos, novas tecnologias e modernização das fábricas. Muito pouco vai para ampliação de capacidade produtiva, alvo do ciclo anterior de investimentos. Com a crise, a maioria das fábricas opera com elevada ociosidade.

Segundo Megale, os primeiros sinais da recuperação da economia e do mercado automotivo são evidentes e é importante para as empresas continuarem com o processo de evolução dos seus veículos. "A indústria automobilística é movida por produtos, e quem não renova fica para trás", diz Rodrigo Custódio, da consultoria Roland Berger.

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"Não vejo nesse momento uma nova onda de investimentos, mas uma continuidade para manter os produtos atualizados, pois hoje os veículos são cada vez mais globais e é preciso manter as atualizações", diz Marcelo Cioffi, da PwC. "De qualquer forma, demonstra que o Brasil continua sendo importante na estratégia global das companhias."

Custódio calcula que, para a produção de um novo carro, são necessários aportes de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão. Para ele, grupos que demoraram a renovar a linha de produtos são os que mais perderam fatia de mercado. "Algumas esperaram para investir no momento de recuperação das vendas e outras não tinham caixa para isso."

Juros. As empresas brasileiras normalmente têm prazos de cinco a dez anos para pagar os empréstimos das matrizes, a juros internacionais, menores que os nacionais. Segundo o BC, parte do aumento do investimento direto para o setor "se deve a uma recuperação dos fluxos de investimento direto após a crise financeira internacional". Também afirma que, pelas estatísticas disponíveis, não há indícios de que as empresas tenham usado porcentual desses recursos para investir no mercado financeiro local e se beneficiar do juro alto, uma hipótese que costuma se apontada para justificar o forte ingresso de divisas estrangeiras no País.

Para o diretor-presidente da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização), Luís Afonso Lima, os indícios são mesmo de que "as empresas do setor estão fazendo uso dos empréstimos intercompanhias em suas operações com vista a desenvolver produtos, fomentar exportações e desenvolver processos e produtos". 

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