Economia 'Não tive ferramentas' para prever precatórios, diz Paulo Guedes

'Não tive ferramentas' para prever precatórios, diz Paulo Guedes

O ministro da Economia afirmou a senadores que momento não é para buscar culpados, mas para corrigir 'fenômeno ameaçador'

Guedes diz que não é hora de achar culpados

Guedes diz que não é hora de achar culpados

TV Senado / Reprodução

O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu à comissão temporária do Senado que trata de covid-19 que a cobrança dos precatórios poderia ter sido prevista pelo governo, mas disse que não teve as "ferramentas" para saber disso.

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"Isso veio de governos lá de trás. Era previsível? Talvez sim, mas talvez não. Eu, por exemplo, não tive feramentas para isso. Talvez a AGU (Advocacia-Geral da União) tenha até me advertido, não vou colocar culpa na AGU", comentou.

Guedes lamentou por quase toda a conversa com os senadores ter de pagar imediatamente R$ 90 bilhões de dívidas contraídas pela União no passado, "há 30 anos e em todos os governos até o nosso", disse o ministro. Segundo ele, o pagamento "é inexequível" e impede qualquer investimento do governo federal, inclusive o de ampliação de programas sociais previstos para 2022.

"Eu até compartilho de culpa se houve qualquer culpa. mas é a mesma coisa de dizer, 'olha, você  foi fulminado por um raio, mas você tem culpa por estar caminhando na rua naquele momento'", opinou Guedes.

"Sinceramente, acho mais importante nós cuidarmos da previsibilidade para que isso não aconteça novamente do que de novo achar um culpado. Se é o que emitiu a causa lá atrás, se o culpado são os relatores do Supremo que decidiram apertar o botão agora, se é a AGU que deveria ter chamado o Ministério da Fazenda ou se é  o próprio ministro da Fazenda."

Para o ministro, "é menos importante achar culpados do que concertar institucionalmente um fenômeno ameaçador".

Para cumprir o teto de gastos e abrir espaço para o Auxílio Brasil, o novo Bolsa Família, o governo federal tenta passar uma mudança na Constituição para permitir o parcelamento de dívidas do poder público com cidadãos e empresas reconhecidas pela Justiça (precatórios) em até dez anos.

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