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Número de trabalhadores na indústria de alimentos cresce 7,4% no primeiro ano da pandemia

Segmento contratou 121,5 mil profissionais e passou a representar quase um quarto do faturamento da indústria em 2020, diz IBGE

Economia|Do R7

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Indústria de alimentos responde por 24,1% da indústria no Brasil e 23% dos trabalhadores
Indústria de alimentos responde por 24,1% da indústria no Brasil e 23% dos trabalhadores

As mudanças de hábitos e a imposição de medidas restritivas para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus fizeram a indústria destinada à fabricação de produtos alimentícios contratar mais de 120 mil profissionais e assumir quase um quarto do faturamento do setor em 2020.

Os dados apresentados nesta quinta-feira (21) pela PIA (Pesquisa Industrial Anual) mostram que a evolução da RLV (Receita Líquida de Vendas) dos produtores de alimentos cresceu 3,6 pontos percentuais na passagem de 2019 para 2020 e passou a concentrar 24,1% do faturamento da indústria brasileira. Em 2011, o setor correspondia a 18,2% do segmento industrial.

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Para suprir a demanda maior do período, o setor de fabricação de produtos alimentícios aumentou a mão de obra ocupada em 7,4% no período, o equivalente a um acréscimo de 121,5 mil profissionais. Com as contratações, o segmento passou a empregar 23% dos trabalhadores da indústria.

A pesquisa destaca que a crise sanitária evidenciou que o grau de resiliência entre os segmentos industriais depende da busca pelos bens e serviços industriais produzidos, da necessidade de matérias-primas importadas e até mesmo da capacidade instalada que possibilite adaptar as linhas de produção diante de movimentos não antecipados de demanda.

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“Algumas atividades podem ter enfrentado maior dificuldade de escoamento de mercadorias, enquanto outras precisaram estabelecer turnos extras de trabalho para fazer frente às encomendas e cumprir contratos”, analisa o estudo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Emprego

Segundo o levantamento, a indústria brasileira ocupava 7,65 milhões de trabalhadores em 2020, dos quais 97,4% estavam inseridos nas indústrias de transformação, responsáveis por 92,9% do faturamento total das firmas naquele ano. O total de funcionários é 35.241 superior ao apurado no ano anterior. 

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Em média, cada indústria emprega 25 profissionais, com destaque para as companhias extrativas, que ocupavam uma média de 32 pessoas há dois anos. Na indústria de transformação, o porte médio de contratados também é de 25 pessoas.

Indústria emprega 7,65 milhões de trabalhadores no Brasil
Indústria emprega 7,65 milhões de trabalhadores no Brasil

Juntos, os cinco setores que mais empregam concentram 46,5% da mão de obra industrial. Além da fabricação de alimentos (23%), aparecem na lista a confecção de artigos de vestuário e acessórios (6,7%), a fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (5,8%), a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (5,7%) e a fabricação de produtos de minerais não metálicos (5,3%).

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O estudo revela ainda que 1 milhão de trabalhadores deixaram a indústria no período compreendido entre 2011 e 2020. Na avaliação dos pesquisadores, o movimento ocorre com as mudanças estruturais, como a evolução da tecnologia, a forte concorrência com o mercado externo e a dependência de insumos. 

No período, mais da metade das perdas esteve concentrada nos ramos de confecção de artigos de vestuário e acessórios (-258,4 mil vagas), de preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-138,1 mil cargos) e de fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-134,2 mil postos).

Salários

O estudo revela também que o salário médio recebido pelos profissionais que atuam na indústria correspondia, em 2020, a três salários mínimos, o equivalente a R$ 3.135. O valor equivale a uma redução de 0,2 salário mínimo na remuneração paga aos trabalhadores do setor.

Para os pesquisadores, a redução/manutenção dos salários pode ter sido suavizada pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, criado para mitigar os efeitos econômicos da pandemia sobre as empresas e os trabalhadores.

"Mesmo nas atividades que tiveram redução salarial, a renda do trabalhador pode ter sido complementada com os recursos do BEm (Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda). Essa percepção pode ser corroborada pelo fato de que 20 dos 29 setores industriais aumentaram o número de pessoas ocupadas entre 2019 e 2020", avalia o IBGE.

Conforme a apuração, as indústrias extrativas pagavam a remuneração mais alta, equivalente a 4,6 mínimos (R$ 4.807), enquanto a indústria de transformação respondia pelos menores salários, de 2,9 mínimos (R$ 3.030,50).

De acordo com o IBGE, o resultado foi influenciado pela remuneração elevada no setor de extração de petróleo e gás natural, cujo salário mensal, em média, alcançou 22,7 salários mínimos em 2020, o equivalente a R$ 23.721,50.

Na indústria de transformação, mesmo com salários mais baixos, destacam-se as áreas de fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (R$ 7.628,50), fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (R$ 6.792,50) e fabricação de produtos do fumo (R$ 5.747,50).

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