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O executivo como herói da carreira corporativa

Economia|Do R7

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A jornada de um executivo pode ser comparada à de um herói de filme de ação? Os desafios clássicos da trajetória dos grandes personagens - desde os clássicos da literatura até diversões pop como Star Wars - podem, segundo o livro O Chamado, da jornalista Maria Tereza Gomes, ser semelhantes aos obstáculos enfrentados por executivos que conseguem escalar os degraus mais altos da escada corporativa.

Usando como pano de fundo o cultuado O Herói de Mil Faces, escrito pelo americano Joseph Campbell em 1949, Maria Tereza, que trabalhou por 18 anos na Editora Abril, onde foi diretora de redação da revista Você S/A, usou as etapas da jornada do herói para compilar um material rico de pesquisa que ela trazia do exercício do jornalismo. Como diretora do canal Ideal TV, de 2007 a 2009, entrevistou 71 presidentes de grandes companhias para o programa Trajetória Ideal.

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Para o livro, que foi adaptado de sua tese de mestrado em administração da FEA-USP, a autora selecionou 12 perfilados, entre eles Roberto Lima (então presidente da Vivo, hoje na Natura), Manoel Horácio (que passou por Vale, CSN, Ericsson e Telemar) e Waldey Sanchez (que trabalhava, à época da entrevista, havia 34 anos na fabricante de motores MWM).

A obra priorizou executivos mais velhos, para apontar possibilidades para um item fundamental de qualquer boa história: o desfecho. No caso de uma carreira, o fim pode ser a aposentadoria, a migração para uma consultoria ou para um conselho de administração.

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Entre os momentos de superação narrados por Lima está um desafio enfrentado pela operadora na área de tecnologia da informação, que parecia insolúvel. Como a questão era vital, o executivo decidiu, mesmo não sendo da área, juntar-se ao time responsável até que a questão fosse vencida. E obteve êxito.

Desde a concepção do programa Trajetória Ideal, segundo a autora, a ideia sempre fora retratar executivos - e não donos de empresas. O objetivo era mostrar casos de pessoas que conseguiram galgar o sucesso dentro de uma corporação, um passo de cada vez, como precisam fazer milhões de profissionais brasileiros.

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A trajetória desses heróis, segundo o argumento de O Chamado, é definida pelas provações que aparecem pelo caminho - entre as etapas, estão "o chamado", a ajuda de um mentor e as provações antes da recompensa. A partir da identificação desses desafios, Maria Tereza consegue traçar vários pontos em comum entre os executivos que retrata.

A maior parte dos profissionais que contam sua história em O Chamado começou a trabalhar ainda antes dos 14 anos. Além disso, em algum momento, vários deles se viram no comando de negócios internacionais e tiveram de tomar decisões drásticas durante crises.

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Outra característica que Maria Tereza percebeu nos executivos já próximos da idade de aposentadoria foi a dificuldade de decidir a hora de parar. Entre as fases pelas quais um herói tem de passar para completar sua jornada, a "volta para casa" parece ser a mais difícil, segundo a autora. "Percebi (nos executivos) dificuldade de abrir mão do escritório, do voo de primeira classe, da secretária", diz a autora. "Parar é algo difícil, pois significa desistir do poder."

Novo perfil. O Chamado mostra que, à medida que o mercado brasileiro evoluiu, o perfil do executivo também mudou. O capítulo dedicado aos jovens executivos - que inclui Bernardo Hees, atual presidente global da Heinz - mostra um estilo de formação completamente diferente dos profissionais próximos da aposentadoria. "É uma formação completa, com MBA e inglês", diz Maria Tereza.

O livro ainda toca na questão da mulher - ou, mais especificamente, da discreta presença feminina no topo das organizações. Entre as 71 entrevistas feitas pela jornalista, figuraram só 5 mulheres. Para a autora, ainda há reticência da mulher em buscar um cargo de liderança com o mesmo vigor competitivo do homem. Não por acaso, o capítulo que retrata as executivas tem o título A Heroína Tímida. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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