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País "perde a confiança" se não fizer as reformas, dizem economistas

Especialistas dizem que mudança é necessária para recuperação financeira

Economia|Do R7

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Para especialistas, é preciso rever a Previdência Social
Para especialistas, é preciso rever a Previdência Social

Economistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo são categóricos: a confiança de que haverá melhora nas contas públicas e retomada do crescimento econômico está ancorada na aprovação da reforma da Previdência. Sem ela, a recuperação, que mal começou, estará comprometida, e a solvência do Estado, seriamente ameaçada. Segundo o Placar da Previdência, levantamento do jornal sobre as intenções de votos na Câmara, a proposta de mudança nas regras de aposentadorias e pensões não seria aprovada.

Na definição de Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da gestora Gávea, a não aprovação "seria gravíssimo". Sem uma mudança na trajetória de crescimento dos gastos previdenciários seria praticamente impossível tirar as contas da União do vermelho.

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— Sem essa reforma, e uma boa reforma, o plano de ajuste a longo prazo não fecha.

Novo movimento pressiona por reforma da Previdência

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Segundo os economistas, basta olhar os números. A despesa da Previdência cresce cerca de 3,5% ao ano acima do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) — seja qual for esse PIB. É a principal fonte de expansão do chamado gasto primário (que exclui o pagamento de juros da dívida).

Em fevereiro, por exemplo, a diferença entre o que o governo arrecadou e gastou levou a um déficit: foram R$ 26,3 bilhões negativos, o pior resultado para um mês de fevereiro desde o início da série histórica em 1997. Nessa conta entram o resultado do Tesouro Nacional, Previdência Social e BC (Banco Central). Tesouro e BC conseguiram frear as despesas com um resultado quase 18% menor do que o do ano passado. Já a despesa da Previdência teve um comportamento inverso, registrando alta de 26% em relação a fevereiro do ano passado.

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Em Nova York, onde tem uma visão externa do Brasil, Alberto Ramos, diretor do Grupo de Pesquisas Econômicas para América Latina do Goldman Sachs, avisa que, sem a reforma, o cenário para o País passaria por uma reversão bem ruim. "A aprovação de uma reforma da Previdência fraca seria ruim, mas a não aprovação da nada seria péssimo", diz Ramos.

Grave

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Na avaliação de Ramos, há duas razões que forçam a uma reforma da Previdência. A primeira é sustentar a confiança em relação ao Brasil.

— Não fazer a reforma indicaria que a classe política não está preparada para lidar com o grave problema estrutural das contas públicas.

A segunda razão é de ordem econômica: sem a reforma, a dinâmica de crescimento do País estaria comprometida nos próximos anos.

— Se não fizerem a reforma hoje, vão fazer amanhã, porque a única alternativa à reforma seria elevar a carga tributária a um valor exorbitantemente pesado e a economia não conseguiria crescer.

Marcos Lisboa, presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, ainda reforça que, neste momento, é a perspectiva de reforma da Previdência que sustenta a retomada da confiança e as projeções de que o País pode se recuperar, ainda que lentamente.

Padilha diz estar convicto de que proposta da Previdência será aprovada

"Há um ano tínhamos dólar a R$ 4, taxas de juros em alta, recessão se aprofundando, o cenário era de insolvência e de inflação elevada: a coisa melhorou porque o Brasil aceitou discutir uma agenda de reformas e, sem a da Previdência, voltamos àquela realidade lá de trás", avalia o economista.

Lisboa acredita que, para reverter a indisposição dos parlamentares, o governo precisa discutir proposta por proposta no detalhe.

— É preciso colocar os números na mesa e fazer o debate item por item, mostrando o custo e alternativa de cada sugestão.

A leitura geral é que o governo tem condições de convencer os parlamentares. "Vamos voltar no tempo: no ano passado, quando apresentaram a proposta de fixar um teto para as despesas, o Congresso, primeiro, se opôs, mas depois o governo trabalhou para convencer os deputados e terminou aprovando", diz José Roberto Mendonça de Barros, também ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e sócio da MB Associados, empresa de consultoria econômica.

Para Mendonça de Barros, o resultado do Placar da Previdência não lhe surpreendeu. "Não me impressiona em nada a resistência, que já era esperada, ilusão foi acreditar que iriam aprovar em abril, quando o razoável é que a discussão vá pelo menos até setembro, afinal, é uma reforma difícil mesmo", diz ele.

Mendonça de Barros reforça que o ambiente político ainda está "nervoso" e "incerto", mas que os parlamentares têm um jeito próprio de trabalhar.

— Primeiro, vêm com dificuldades, mas depois chegam aos acordos. 

Mas ele avisa que se, ao contrário, os deputados insistirem em rejeitar as mudanças, o País precisa se preparar para dias piores: "O quadro de retomada que começa a surgir se reverteria". 

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