Economia Pequenos negócios usam internet para vender chocolates na Páscoa

Pequenos negócios usam internet para vender chocolates na Páscoa

Com o comércio fechado, divulgação pelas redes sociais e por aplicativos foi a solução de muitos empresários para salvar as vendas deste ano

  • Economia | Márcia Rodrigues, do R7

Negociar ponto de venda em supermercado pode ser uma solução para desovar estoque

Negociar ponto de venda em supermercado pode ser uma solução para desovar estoque

GILBERTO SOARES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A Páscoa, data mais esperada pela indústria e varejo de chocolate para turbinar as vendas, se tornou um grande desafio para os pequenos negócios este ano.

Com o comércio fechado, devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19), a solução para não ficar com o estoque de ovos e artigos de Páscoa parados foi investir na divulgação e nas vendas pelo WhatsApp e pelas redes sociais Facebook e Instagram.

Acostumadas com a grande movimentação nas suas lojas durante a Páscoa, as empresárias, Glauci Pereira, dona da Delícias Glauci, e Vanessa Couto, dona da unidade da rede Cacau Show do Shopping Frei Caneca, em São Paulo, viram suas estratégias de vendas desmoronarem com as portas fechadas.

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A solução para não ter prejuízo e conseguir vender o estoque de ovos e produtos de Páscoa foi arregaçar as mangas, intensificar a divulgação pelas redes sociais e WhatsApp e colocar o carro na rua para fazer entregas.

Delivery e parceria com supermercados

Assim que o comércio fechou, Vanessa mandou o catálogo virtual para clientes cadastrados e lojistas da região e começou a oferecer delivery.

A segunda ação foi anexar o seu cartão com o número do WhatsApp em um catálogo de produtos da Cacau Show, colocá-lo em um suporte que instalou na porta de um supermercado do Shopping Frei Caneca, que está funcionando, e começar a fazer entrega para os clientes.

O estoque ainda está elevado, mas Vanessa diz que faz entregas o dia todo.

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"As vendas não chegam aos pés do que conquistaríamos com a loja aberta, mas estamos na rua e correndo para não ficar no prejuízo."

Vanessa diz que na loja os consumidores compravam de quatro a cinco produtos, enquanto no delivery os pedidos são fechados e não passam de duas unidades.

Além do delivery com o próprio carro, Vanessa também faz entregas pelo ifood e recebe pedidos do app que a Cacau Show criou para ajudar os franqueados.

"Também fiz parceria com redes de supermercados e consegui colocar duas funcionárias vendendo no varejo diretamente."

Marido e filhos ajudam na entrega

A empresária Glauci também está mantendo as vendas de Páscoa com o delivery. Toda a família - marido e os dois filhos - está envolvida nas entregas feitas na cidade de São Paulo.

As vendas, segundo ela, não chegam a 20% do que a empresa comercializava com as nossas lojas abertas. A estratégia é investir na clientela cativa para vender.

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"Temos muitos seguidores nas redes sociais e trabalhamos com bastante empresas. Então, distribuímos mensagens para os departamentos divulgando os nossos produtos e estamos recebendo pedidos."

Para garantir a saúde da empresa durante a crise, Glauci deu férias para os funcionários e reduziu as opções de itens de Páscoa. De 40 produtos, a loja está trabalhando com apenas 20.

Parcerias ajudam a desovar estoque

Para Juliana Segallio, consultora do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), as redes sociais ajudam as empresas a estreitarem o seu relacionamento com os clientes e podem ser um bom canal de vendas neste momento.

"Apesar de o WhatsApp e as redes sociais serem os canais mais utilizados neste momento, os empresários também podem buscar parcerias no varejo para expor e vender seus produtos."

A consultora sugere que os pequenos empresários negociem com as grandes redes para montarem pontos de venda no varejo. "Eles estão ativos neste momento e podem ser uma solução importante para escoar produtos."

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Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de gestão financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas), sugere que o empresário que ainda tem produtos para receber dos fornecedores tente renegociar para que não sejam entregues.

O economita também ressalta que a Páscoa deste ano será bem atípica em todo o mundo e exigirá mais dos empreendedores.

"É preciso ser criativo e inventar produtos além dos ovos de Páscoa, já que as famílias não conseguirão se reunir. Podem ser cestas para presentear familiares em outros lares, cestas específicas para o público da terceira idade, que está enfrentando o isolamento com mais rigor. O que vale neste momento é criatividade para manter as vendas."

Consumo em casa deve garantir vendas após a Páscoa

Juliana faz uma análise que, se concretizada, pode ser um alívio para o empreendedor e ajudá-lo a não ficar com o estoque parado.

"O consumo de alimentos, entre eles o de chocolate, vem crescendo bastante com o isolamento social. Os empresários podem criar kits e fazer promoções para manterem as vendas após a Páscoa."

Uma dica da consultora é produzir conteúdo falando sobre os benefícios do consumo moderado de chocolate e divulgar nas redes sociais.

"Principalmente as empresas que têm produtos que destacam a saudabilidade, como chocolate 60% cacau ou sem açúcar, podem conseguir boas vendas após a Páscoa."

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