PESQUISA- Economia do Brasil seguiu em crescimento no 3º tri, mas sem alarde

Por Jamie McGeever

BRASÍLIA (Reuters) - A economia do Brasil provavelmente se expandiu 0,4% no terceiro trimestre ante o segundo, de acordo com uma pesquisa da Reuters com economistas, consolidando um ritmo estável de crescimento, embora não espetacular, antes de uma esperada aceleração no final do ano.

A mediana das estimativas com 19 economistas para o trimestre de julho a setembro é de um crescimento de 0,4% sobre o segundo trimestre, mesma taxa registrada entre abril e junho. As previsões variaram entre aumento de 0,2% e 1,0%.

A mediana dos prognósticos de 18 economistas para o crescimento ano a ano foi de 1,0%, também a mesma do trimestre do ano anterior, com um intervalo entre 0,8% e 2,5%. Os dados serão divulgados na terça-feira.

A queda da inflação e das taxas de juros no período de julho a setembro ajudou a dar suporte aos gastos dos consumidores, enquanto a produção industrial se recuperou, mas não o suficiente para acelerar a taxa de crescimento trimestral e anual.

Isso deve ocorrer no quarto trimestre, quando deverão ser mais sentidos os efeitos da queda da taxa de juros a mínimas recordes e a melhora do sentimento de investidores e empresários depois de o Congresso Nacional ter aprovado em outubro a reforma da Previdência.

"Esperamos outra expansão gradual do PIB", escreveram economistas do Citi em nota aos clientes, observando que a demanda e o investimento domésticos devem continuar apoiando o crescimento.

"Neste momento, mantemos nossas previsões de crescimento de 0,7% e 1,8% para 2019 e 2020, respectivamente, mas vemos chances de melhorar nossa estimativa para este ano, a depender do PIB do terceiro trimestre a ser divulgado", acrescentaram.

Na última terça-feira, o governo elevou a previsão de crescimento do PIB de 2020 para 2,32%, ante 2,17% projetados anteriormente, e muitos economistas do setor privado também veem a economia acelerando no próximo ano.

Desde meados deste ano, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 150 pontos-base, para uma nova mínima histórica de 5,00% ao ano, e indicou claramente que faria outra redução de 0,50 ponto percentual, para 4,50%, em dezembro.

Com essa queda, somada à inflação de apenas 2,54% no acumulado em 12 meses até outubro --bem abaixo do centro da meta perseguida pelo BC para este ano, de 4,25%--, os consumidores estão mais dispostos a tomar empréstimos e a gastar e estão vendo a renda real crescer, mas apenas gradualmente.

Do lado externo, no entanto, o superávit comercial do Brasil vem se deteriorando constantemente este ano, com o colapso das exportações para a Argentina e a incerteza contínua em torno da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que tem minado a demanda global por produtos brasileiros.

O superávit comercial do Brasil no acumulado de julho a setembro ficou em pouco menos de 8 bilhões de dólares, o menor superávit trimestral desde o primeiro trimestre de 2016. Mantido isso, haverá redução do crescimento do PIB na margem.

(Reportagem adicional de Gabriel Burin em Buenos Aires)