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Por que o IGP-M, que reajusta o aluguel, está acima da inflação oficial e até onde ele pode chegar?

Índice subiu 1,47% em outubro e acumula 5,24% em 12 meses

Economia|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O IGP-M subiu 1,47% em outubro, acumulando alta de 5,24% em 12 meses, impactando diretamente os contratos de aluguel.
  • A diferença entre o IGP-M e a inflação oficial (IPCA) se deve ao peso maior dos preços no atacado no cálculo do IGP-M.
  • O índice é influenciado por variações em commodities como soja e milho, além de fatores climáticos e cambiais.
  • Projeções indicam que o IGP-M pode fechar o ano um pouco acima do atual, mas espera-se alívio em 2027, com possibilidade de negociação de índices de reajuste em contratos de aluguel.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O índice que reajusta os aluguéis está acima do IPCA neste ano; o que fazer? Reprodução/Record News

O IGP-M (Índice Geral de Preços–Mercado), usado para corrigir boa parte dos contratos de aluguel, subiu 1,47% no mês de outubro, segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas), que divulgou o levantamento nesta quinta-feira (27).

Com o resultado, o índice acumula alta de 4,97% no ano e de 5,24% em 12 meses.

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Para o locatário que paga R$ 2 mil e tem contrato corrigido pelo IGP-M, com aniversário em novembro, isso significa que o seu aluguel subirá R$ 104,80, reajustado para R$ 2.104,80. Em 12 meses, são R$ 1.257,60 a mais.

O percentual fica acima da inflação oficial. A prévia do IPCA, medida pelo IBGE, subiu 0,32% em outubro e soma 4,62% em 12 meses. A diferença é ainda maior quando se olha mês a mês, já que o IGP-M avançou 1,57% em setembro e 1,47% em outubro, ritmo bem mais forte do que a média dos demais preços pagos pelas famílias.

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O IGP-M é um índice diferente

A explicação para a diferença do índice de aluguel dos demais indicadores de inflação está na forma como o IGP-M é calculado.

Diferentemente do IPCA, que acompanha apenas o que o consumidor paga no supermercado, na conta de luz ou no transporte, o índice da FGV dá 60% do peso aos preços praticados pelo produtor, ou seja, ao que se cobra no atacado. Completam o índice o sobe e desce dos preços ao consumidor (30%) e os custos da construção civil (10%).

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Na prática, o IGP-M sente primeiro e com mais força a variação no preço de produtos como soja, milho, minério e combustíveis, muitos deles cotados em dólar no mercado internacional.

Quando essas mercadorias encarecem, o índice dispara antes de o aumento chegar às gôndolas dos supermercados, se é que um dia ele chega.

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Foi exatamente isso que aconteceu nos últimos dois meses. Os produtos agropecuários subiram 3,07% no atacado em setembro e 1,29% em outubro, puxados pelo aumento na cotação do milho, da soja, do tomate e da batata.

Para o consumidor, hortaliças e legumes ficaram 10,6% mais caros em outubro, efeito de um clima mais adverso do que o normal para a época, que reduziu a oferta.

O mesmo mecanismo funciona no sentido contrário. Entre junho e agosto, o IGP-M teve três meses seguidos de deflação, com quedas de 0,50%, 1,16% e 0,22%. Em abril, havia saltado 2,73%. Essa oscilação é marca do índice e explica por que ele pode ficar muito acima ou muito abaixo do IPCA em curtos períodos.

Fique atento ao clima e ao dólar

A queda nas tarifas de energia elétrica ajudou a frear o índice em outubro. Para os próximos meses, porém, a FGV prevê que os preços dos alimentos continuem voláteis. O principal responsável por isso deverá ser o fenômeno El Niño, que esquenta o clima, reduz ou aumenta chuvas e interfere na safra agrícola.

O câmbio é outra variável a observar. Como boa parte das matérias-primas tem preço definido em dólar, uma moeda americana mais cara tende a encarecer o atacado e, por tabela, o IGP-M. Nesta semana, o dólar acumula alta de 7%, resultado do nervosismo do mercado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Onde o índice pode parar?

Os economistas consultados pelo Banco Central para a confecção do boletim Focus, divulgado toda segunda-feira, elevaram de 5,26% para 5,61% a projeção para o IGP-M de 2026.

Como o índice já acumula 4,97% no ano, a estimativa indica uma alta somada de cerca de 0,6% em novembro e dezembro, o que levaria o acumulado em 12 meses a fechar o ano um pouco acima do atual.

Para 2027, no entanto, a expectativa é de alívio. O mercado projeta IGP-M de 4,01%, abaixo dos 4,34% previstos para o IPCA no mesmo ano.

O que o inquilino pode fazer?

O índice de reajuste é definido em contrato, e nada impede que proprietário e inquilino negociem uma troca. Depois de 2021, quando o IGP-M fechou o ano com alta de 17,78%, muitos contratos passaram a usar o IPCA, que costuma variar de forma mais estável.

Quem tem reajuste próximo pode comparar os dois índices e propor um acordo antes da data de aniversário do contrato.

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