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Preço da cerveja cai na fábrica, mas sobe no comércio

Economia|Do R7

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O preço da cerveja vem recuando desde novembro na porta de fábrica. No entanto, a bebida tem ficando mais cara para o consumidor mês a mês. Os aumentos sucessivos ocorrem nos supermercados desde julho do ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A fabricante de bebidas Ambev informou nesta sexta-feira, 4, que não reajustará os preços de suas cervejas até o final da Copa do Mundo de Futebol, que ocorrerá entre os dias 12 de junho e 13 de julho. A ação, chamada de "Copa sem Aumento", tem como meta obter a adesão de meio milhão de pontos de venda no Brasil, explicou a empresa em nota. A companhia já tinha realizado campanha semelhante no início de dezembro, chamada "Verão sem Aumento", que congelou os preços das cervejas da companhia no período de maior venda para o setor.

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O Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a variação de preços de produtos da indústria de transformação antes da incidência de impostos e frete, de fato mostrou que o setor fabricante de bebidas registra deflação desde novembro. Naquele mês, a queda de preços foi de 0,20%, seguida por recuos em dezembro (-0,04%), janeiro (-0,60%) e fevereiro (-0,41%). A cerveja é o item de maior peso na atividade, responsável por 54% do indicador."O preço da cerveja vem caindo desde novembro", confirmou Alexandre Brandão, gerente do IPP no IBGE, que não pode revelar a variação de preços registrada em cada item da indústria por questão de sigilo da fonte.

Na direção oposta, o indicador do IBGE que mede a variação de preços ao consumidor apontou que o valor da cerveja no supermercado vem aumentando ininterruptamente desde julho, quando a alta foi de 2,86%. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os meses seguintes também foram de elevação: agosto (2,63%), setembro (1,17%), outubro (1,17%), novembro (1,09%), dezembro (0,34%), janeiro (0,80%), fevereiro (0,77%). Nos 12 meses encerrados em fevereiro, a cerveja chegou ao consumidor 11,47% mais cara.

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O calor forte dos últimos meses estimulou a demanda, deixando os distribuidores da bebida mais confortáveis para aumentar os preços, apesar do desconto na fonte, avaliou o economista André Braz, responsável Índice de Preço ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). O IPC apontou uma alta de 11,69% no valor da cerveja vendida no supermercado nos 12 meses terminados em fevereiro.

"Como fez muito calor, a demanda pela bebida deve ter acompanhado o próprio clima. Com a maior demanda, os supermercados se sentiram à vontade para aumentar o preço. Mas, nos meses de frio, esse consumo tende a diminuir, então o espaço para aumentos deve ser menor", ponderou Braz, lembrando que a Copa do Mundo ainda pode manter a demanda aquecida, logo, preços idem.

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Segundo Brandão, houve uma mudança no padrão de reajuste de preços praticado pelos fabricantes de bebidas. Os aumentos, que tradicionalmente ocorriam no fim do ano, época de maior demanda, passaram a ser feitos na metade do ano. "Nos últimos dois anos, o setor adiantou esse aumentos mais para o meio do ano, e o fim do ano aparece com queda nos preços. Acho que é um posicionamento de mercado mesmo, porque a atividade não tem muito impacto de insumos nem de valorização do dólar", explicou o gerente da pesquisa.

Apesar da melhora recente, o IPP ainda registra em fevereiro uma alta de 8,73% nos preços das bebidas em relação ao mesmo mês do ano passado.

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