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Preço-teto no leilão A-0 deve ser atrativo, diz Aneel

Economia|Do R7

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O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, não quis revelar o valor do preço-teto da energia para o leilão emergencial A-0 marcado para o dia 30 de abril, mas destacou que o valor deverá ser atrativo para os investidores. Ele não confirmou se o preço-teto será superior ao R$ 175 por megawatt (MW) médio do leilão do ano passado. Esse valor causou a fuga de geradores da disputa que ocasionou a descontratação das empresas de distribuição, cuja demanda por energia foi maior que o montante ofertado no certame. "Mas é normal imaginar que os investidores deverão buscar preço maior que o do leilão de 2013", acrescentou.

Ele revelou ainda que o governo não cogita antecipar o processo de renovação das concessões das distribuidoras de eletricidade. "A renovação das distribuidoras é com o poder concedente, ou seja, com o Ministério de Minas e Energia. Mas não há diretriz ainda, eu diria que está em prazo de espera", disse.

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De acordo com Rufino, um bloco grande de concessões do segmento de distribuição vence em meados de 2015, portanto, essa seria a data limite para a decisão sobre esses contratos.

O executivo voltou a descartar uma mudança nos próximos meses na metodologia de cálculo do preço da energia no mercado à vista. Segundo ele, uma eventual discussão sobre essa metodologia não ocorrerá antes do próximo período de chuvas, em 2015. "O governo não cogita mexer nas regras do jogo porque isso quebra a confiança. Mas no futuro podemos reabrir discussão sobre a metodologia, é normal depois de um tempo", afirmou.

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"Acredito que a regra sobre a exposição das empresas a esse mercado à vista poderá ser reavaliada futuramente para se evitar situações como a atual, de grande exposição das distribuidoras a essa energia mais cara", explicou. Rufino disse ainda que a forma de cálculo dessa energia, que hoje reflete o preço mais caro cobrado no sistema, também poderá ser alvo de reflexão. "Mas isso só ocorrerá no momento apropriado e observando o rito apropriado", completou.

PCHs

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Rufino disse que o órgão regulador se sente "incomodado" em não poder aproveitar todo o potencial de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) cujos projetos não conseguem aprovação. Matéria do Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, publicada na última sexta-feira, mostrou que cerca de 640 projetos que somam 7.000 megawatts (MW) de potência estão parados na Aneel devido à falta de licenciamento ambiental.

"Não é falta de empenho da Aneel. Temos feito interações com órgãos ambientais, mas os interessados nesses projetos é que têm que buscar o licenciamento. Queremos que os projetos de PCHs saiam do papel", disse Rufino.

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Outros 172 projetos já aprovados que totalizam mais 2.200 MW de potência não são construídos por não terem viabilidade econômica com os preços obtidos pelo segmento nos leilões de energia. O superintende Gestão e Estudos Hidroenergéticos (SGH) da Aneel da Aneel, Odenir José dos Reis, reiterou que os projetos só podem ser aprovados pela agência com o aval ambiental, até porque o licenciamento dado por esses órgãos pode determinar mudanças nesses projetos.

"Sem esse licenciamento, a aprovação do projeto não levaria a nada. O próprio licenciamento traz condicionamentos ao projeto", explicou. A Aneel irá realizar um workshop sobre o assunto no dia 24 de abril com investidores do segmento.

Desperdício e reajuste

Para o executivo, uma economia voluntária de energia sempre é positiva, mas ele se recusou a comentar qualquer possibilidade de que o governo venha a editar medidas que incentivem os consumidores a usarem menos eletricidade.

"O desperdício de energia e água no Brasil é grande, com certeza há espaço para se economizar. Em casa e aqui na Aneel eu já faço isso, sempre passo nas salas vazias apagando as luzes", afirmou. Rufino também citou as ligações ilegais nas redes elétricas - os chamados "gatos" - como um dos principais fatores de perda de energia no sistema. "É um problema um pouco cultural. As pessoas acham normal ver o desvio de eletricidade, falta seriedade no combate a isso", completou.

Rufino reconheceu também que os reajustes anuais das contas de luz estão maiores este ano devido à necessidade de uso da energia térmica - mais cara - e devem ser impactados em 2015 também pela descontratação das distribuidoras este ano. Ele ponderou, entretanto, que a entrada no sistema de cotas de eletricidade provenientes de usinas cujos contratos vencem em 2014 - tornando a energia mais barata - irá contrabalançar os reajustes do próximo ano. "Temos dois fatores que vão em sentido contrário, mas não dá para fazer projeção de quanto serão os reajustes à frente", completou.

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