Preços de produtos e serviços para o Dia das Crianças recuam 0,82% em 12 meses
Itens voltam a registrar deflação, e serviços desaceleram, puxados pela queda pontual do cinema
Economia|Do R7
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O preço de presentes para o Dia das Crianças registrou queda de 0,82% em um ano, ante alta de 1,54% no período anterior.
O levantamento foi feito pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), que analisou a evolução dos preços dos produtos e serviços tradicionalmente escolhidos como presentes no Dia das Crianças.
A pesquisa utilizou como base o IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor – Mercado) para captar as variações de preços desses produtos, enquanto a Sondagem do Consumidor serviu para mapear os itens mais procurados para a data comemorativa.
Os produtos recuaram 0,98%, revertendo a alta de 1,38% do ano anterior, enquanto os serviços subiram 2,26%, desaceleração em relação aos 4,76% do período anterior.
A desaceleração dos serviços no último ano foi puxada pelo cinema, cujos preços caíram 21,25% em 12 meses, após queda de 12,14%. Os serviços de alimentação, por outro lado, seguiram em alta, como Doces e salgados (6,91%), Refeição em bares e restaurantes (5,49%) e Sucos de frutas fora de casa (5,31%), assim como Clube de recreação (6,49%).
Em relação aos produtos, o resultado foi de queda generalizada. Calçados infantis (-3,99%), bonecas (-2,66%), bicicletas (-2,53%), instrumentos musicais (-1,37%) e artigos esportivos (-0,98%) recuaram em 12 meses, e as roupas infantis ficaram praticamente estáveis (-0,21%). Os livros não didáticos foram a principal pressão (4,41%).
Entre os produtos tecnológicos, os aparelhos celulares seguem em deflação (-1,69%), com queda em todos os quatro períodos analisados, enquanto computadores e periféricos subiram 3,54%, segunda alta seguida, após a deflação de 5,44% em 2022-2023.
Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE responsável pelo levantamento, o resultado reflete o momento atual da economia.
“Em quatro anos, os serviços subiram cerca de 18%, praticamente o mesmo que a inflação geral, enquanto os produtos subiram apenas cerca de 4%. Esse padrão é coerente com o peso que celulares possuem na cesta, item ainda bastante desejado, mas que consistentemente tem registrado quedas de preços nos últimos anos. O que equilibrou a queda dos aparelhos celulares foi justamente a alta intensa de livros e itens de vestuário.”
O economista destaca ainda que a desaceleração dos serviços no último ano deve ser lida com cuidado.
“Sem o efeito do cinema, a alimentação fora de casa e o lazer continuam subindo entre 4% e 7% ao ano, acima da inflação de 12 meses dos produtos. Para o consumidor, o resultado é que, neste Dia das Crianças, o presente tende a pesar relativamente menos no bolso do que a experiência, como a alimentação fora de casa e o lazer.”
Matheus Dias destaca ainda que o levantamento considera os preços até setembro de cada ano e não captura possíveis variações de última hora na semana que antecede o Dia das Crianças.

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