Economia Produção de carne bovina deve ser a menor em 20 anos, diz Conab 

Produção de carne bovina deve ser a menor em 20 anos, diz Conab 

Pecuaristas diminuem abate para aumentar a criação e aproveitar os bons preços pagos pelos animais vivos 

Reuters

Resumindo a Notícia

  • A produção de carne bovina do Brasil deve ser de 8,115 milhões de toneladas em 2022
  • Esse é o menor patamar da produção para o mercado interno em mais de 20 anos
  • Um dos motivos é a prioridade dada à reprodução, ao aumento do rebanho, e não ao abate
  • Outro fator é a menor demanda interna, com aumento no consumo de frango e porco
A produção de carne bovina do Brasil em 2022 deve ser a menor dos últimos 20 anos

A produção de carne bovina do Brasil em 2022 deve ser a menor dos últimos 20 anos

REUTERS/Paulo Whitaker - 7/10/2011

No fim de 2022, a produção de carne bovina do Brasil deve chegar a 8,115 milhões de toneladas (equivalente carcaça), o menor patamar em mais de 20 anos, segundo projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), publicada nesta segunda-feira (1º). Já a expectativa para as exportações é que avancem para um novo recorde. 

Tonelada equivalente carcaça é uma medida usada para padronizar a pesagem da carne bovina em análises sobre a produção. Ela permite que diferentes tipos de carne do animal sejam transformados em uma mesma medida, por meio da comparação com o peso da carcaça.

A menor produção da proteína bovina para o mercado interno está relacionada, em parte, a um movimento de retenção de matrizes (exemplares da espécie utilizados para reprodução), já que os pecuaristas estão querendo aumentar a criação, para aproveitar os bons preços pagos pelos bois nos últimos anos. Dessa forma, menos vacas vão para o abate, o que também acaba sustentando as cotações.

"Quando tem o aumento do preço do boi, em um primeiro momento, reduz-se a oferta, há retenção de matrizes de gado, para aumentar a produção em período subsequente", diz Sérgio de Zen, diretor de Informações e Política Agrícola da Conab.

Para ele, que também é professor da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo) e especialista no mercado pecuário, a produção de carne bovina voltará a crescer em dois ou três anos. 

Mas ainda é preciso recuperar o impacto da conversão de pastagens para a agricultura, que limitou a abertura de novas áreas para criação de animais. Segundo o professor, com a tecnologia o setor vai aumentar a produtividade numa escala que possa atender à demanda.

"O produtor eficiente, moderno, ele não pode, de forma alguma, contar com a abertura de novas áreas; ele fica restrito, e busca a otimização dessa área, ou seja, o aumento da produtividade", afirma. Ele lembra que, por outro lado, também houve a conversão de áreas de pastagens em lavoura para a produção de grãos como soja e milho, por exemplo.

De Zen acredita que a crescente adoção do sistema produtivo de integração lavoura-pecuária vai colaborar para que, a longo prazo, haja maior eficiência no uso da terra e maior produção. Entretanto, o setor de pesquisa ainda precisa encontrar pastagens, não somente mais produtivas, mas que também tolerem mais os períodos frios.

Para a Conab, outro fator de pressão para a queda da produção de carne foi a baixa demanda no mercado interno. A disponibilidade de carne bovina per capita deve ficar em torno de 25 quilos por habitante/ano, a menor de uma série histórica iniciada em 1996. A máxima, de 42,8 kg por habitante/ano, foi registrada em 2006.

Exportação

Neste ano, o mercado interno deve ficar com cerca de 65% da produção de carne bovina do Brasil, enquanto a exportação ficará com o restante, em meio à forte demanda da China, que no primeiro semestre elevou as compras do produto em 35%.

O Brasil é o maior exportador global de carne bovina, sede de gigantes do setor, como JBS, Marfrig e Minerva. Para a Conab, as exportações de carne bovina devem ser de 2,8 milhões de toneladas (equivalente carcaça), máxima histórica, contra os quase 2,5 milhões em 2021.

Isso pode ajudar a explicar por que os preços estão em patamares elevados, apesar da demanda interna mais fraca.

Enquanto o processamento de carne bovina está caindo, diante da arroba em patamares historicamente elevados, acima de R$ 300, o que também colabora para a elevação de custos aos consumidores, a produção de carnes de frango e suína, consideradas proteínas substitutas, tem subido nos últimos anos.

Aves e suínos

Para aves, a produção se mantém próxima a 15 milhões de toneladas, o que garante uma disponibilidade per capita de 48,6 quilos por habitante/ano.

O índice, que atingiu o maior nível no ano passado, chegando a 50,5 kg, deve registrar uma ligeira queda, de 3% em 2022, dada a pequena redução da oferta, aumento das exportações e crescimento da população brasileira, diz a Conab.

O Brasil é também o maior exportador global de carne de frango. As exportações desse produto tendem a crescer 6% e podem atingir um novo recorde neste ano, ultrapassando 4,7 milhões de toneladas, segundo dados da estatal.

No caso de suínos, é esperada a maior produção para a série histórica, estimada em 4,84 milhões de toneladas, um acréscimo de cerca de 3% na oferta do produto, quando comparado à de 2021.

Esse cenário contribui para a tendência de leve aumento na disponibilidade per capita de carne suína no mercado brasileiro, saindo de 16,9 kg para 17,5 kg por habitante/ano, o que implica maior oferta e pressão de baixa para os preços.

Considerando as três carnes, a produção está "estável", em torno de 28 milhões de toneladas. "Mesmo com o aumento nas vendas ao mercado externo de aves e bovinos, a disponibilidade per capita de carnes no país se mantém acima de 90 quilos por ano, volume que garante o abastecimento brasileiro", diz a estatal.

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