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Projeção de déficit primário ressalta dificuldades fiscais do Brasil, dizem agências

Economia|Do R7

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SÃO PAULO (Reuters) - As mudanças no cenário fiscal para 2016 anunciadas na véspera pelo governo brasileiro indicam tendência de superávit primário muito abaixo do cenário-base usado pela agência de classificação de risco Fitch na última revisão do rating soberano, enquanto para a Moody's o passo reflete os desafios fiscais do país.

"Essas revisões para baixo colocam a tendência de obtenção de superávits primários muito abaixo do cenário-base usado pela Fitch em abril", disse a analista Shelly Shetty, da Fitch, em comentário por e-mail, referindo-se ao momento em que revisou a perspectiva do rating do Brasil para "negativa", mantendo a classificação em "BBB", penúltima nota dentro da faixa considerada como grau de investimento.

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"A trajetória de crescimento e as dinâmicas fiscal e de dívida vão determinar o futuro dos ratings do Brasil", disse.

Na segunda-feira, o governo apresentou ao Congresso Nacional proposta orçamentária com previsão de déficit primário da União de 30,5 bilhões de reais, em meio a um cenário recessivo e de dificuldades para aprovar medidas de ajuste fiscal.

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"O orçamento de 2016, assim como as projeções oficiais revisadas para 2015, refletem os desafios fiscais que o Brasil continua a enfrentar, um importante motivador para o corte do rating para 'Baa3' em agosto", disse o analista sênior da Moody's, Mauro Leos, em comunicado.

No início do mês, a Moody's rebaixou o rating do Brasil para "Baa3", último nível dentro da faixa considerada como grau de investimento, mas melhorou a perspectiva da nota para "estável" ante "negativa".

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"A revisão do alvo para um déficit primário no próximo ano, que vem após revisão para baixo de julho das metas de superávit primário para os próximos anos, destaca a dificuldade que o Brasil está enfrentando na consolidação fiscal", acrescentou a analista da Fitch.

A Fitch é a única das três maiores agências de classificação de risco que ainda coloca o Brasil dois degraus acima do nível especulativo. Na Moody's e na Standard & Poor's, o Brasil está a um degrau de perder o selo de bom pagador.

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(Por Flavia Bohone)

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