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Projeto que reduz ICMS não deve impactar preço dos combustíveis 

Reajuste pode não ser repassado para bombas, e valor do petróleo, que é influenciado por fatores externos, pode manter alta

Economia|Camila Nascimento*, do R7

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Proposta afeta a arrecadação dos estados e municípios e pode prejudicar serviços essenciais
Proposta afeta a arrecadação dos estados e municípios e pode prejudicar serviços essenciais

A Câmara aprovou nesta terça-feira (14) o texto-base do projeto que estabelece teto de 17% para a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre combustíveis. O texto já havia passado no Senado. Segundo especialistas, é provável que a proposta não tenha o efeito esperado e os preços não caiam após a diminuição da alíquota. A redução na alíquota pode não ser repassada para o consumidor, e fatores externos podem continuar influenciando na disparada do petróleo.

Em ano eleitoral, a expectativa do governo e de aliados é, principalmente, que a proposta diminua o preço do combustível, que tem pressionado a inflação. Em maio, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o índice acumulou no ano alta de 11,73%.

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Dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostram que combustíveis tiveram aumento anual de 29,12%. No mesmo período, a gasolina subiu 28,73% e o diesel disparou 52,27%.

A proposta limita o ICMS também para transportes, comunicações, gás natural e conta de luz. O texto prevê que esses serviços e bens, assim como o combustível, passem a ser considerados essenciais. Atualmente, eles são classificados como supérfluos e a cobrança em alguns estados ultrapassa 30%.

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Reajuste pode não chegar à bomba

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Segundo Leonel Cesarino Pessôa, professor de direito da FGV Direito SP e pesquisador do Núcleo de Estudos Fiscais, não há garantia de que a redução de impostos seja repassada para o consumidor.

“O ICMS incide sobre a venda da mercadoria. As pessoas costumam acreditar que a redução da alíquota é totalmente repassada para o preço e leva a uma diminuição do preço na bomba correspondente ao que se obtém com a diminuição do imposto. Mas o repasse pode não acontecer ou, pelo menos, pode não ocorrer integralmente”, avalia o professor.

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“O ganho com a redução ou parte dele pode ser apropriado pelo comerciante na forma de aumento de seus lucros”, completa.

Preço do petróleo é influenciado por fatores externos

De acordo com o diretor da área fiscal da Mazars, empresa de consultoria empresarial e auditoria, Luis Carlos dos Santos, o preço do petróleo depende de fatores externos. Reduzir o ICMS não controlaria os aumentos de preço dos combustíveis em momentos de disparada da commodity no mercado internacional.

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“A política de preços dos combustíveis está vinculada ao preço do barril do petróleo, ou seja, à conjuntura internacional, que tem sido impactada, por exemplo, pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Mesmo aprovada, a legislação pode não cumprir o seu objetivo. Há fatores externos que independem de atitudes tomadas no Brasil”, explica Santos. O conflito no Leste Europeu reduziu a oferta de petróleo no mercado mundial, o que fez o preço subir.

Impactos da redução do ICMS

Caso haja uma diminuição parcial no preço dos combustíveis, ela não deve ocorrer imediatamente. “Mesmo quando acontece de forma parcial, a queda será sentida pelos consumidores ao longo dos meses que se seguirem à redução da alíquota", destaca Leonel Pessôa.

O projeto impacta também a arrecadação pública, o que pode prejudicar serviços essenciais. O ICMS é uma das principais fontes de receita de estados e municípios. “Se houver uma queda de arrecadação por causa dessa redução, o que o governo tenta amenizar com a compensação das dívidas dos estados com a União, isso poderá afetar o investimento em educação, transportes, saúde dos estados e municípios", explica Santos.

“Seria muito melhor se o problema estivesse sendo enfrentado de forma organizada com a adoção de uma alíquota uniforme para a tributação do consumo. Em parte, o recrudescimento da guerra fiscal entre os estados está na base desse aumento que efetivamente aconteceu e fez com que a carga tributária sobre essas mercadorias atingisse valores muito altos. A transição tem que ser feita para um modelo mais justo, de forma que não falte receita para despesas fundamentais do estado”, defende Pessôa.

Para amenizar as perdas na arrecadação, o Senado também aprovou um destaque que garante a compensação de recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), já que parte deles vêm do ICMS. Ficou determinada a compensação da União para saúde e educação, garantindo os mínimos constitucionais.

* Estágiária do R7, sob supervisão de Ana Vinhas

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