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Salário médio no país cai de quatro para dois mínimos em nove anos

No trimestre de setembro a novembro de 2021, rendimento foi o menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2012

Economia|Marcos Rogério Lopes, do R7

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Salário médio fica menor também com inflação de mais de 76% em nove anos
Salário médio fica menor também com inflação de mais de 76% em nove anos

A corrosão gradual do rendimento médio dos trabalhadores do país, apontada na sexta-feira (28) pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, mostra que um brasileiro empregado em fevereiro de 2012, quando começou a série histórica, recebia o dobro de salários mínimos pagos em novembro de 2021, último mês apurado. Eram quatro há nove anos, que caíram para dois. 

Na divulgação da Pnad, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o rendimento médio do trabalhador apurado no trimestre de setembro a novembro do ano passado era o menor da série histórica do índice, iniciada com a divulgação do período de janeiro a março de 2012.

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Nove anos atrás, quando o salário mínimo do país estava em R$ 622, os trabalhadores empregados ganhavam em média R$ 2.492 por mês, quatro vezes mais que o piso.

Em novembro de 2021, enquanto o piso nacional estava em R$ 1.100, o holerite apontava média inferior à de nove anos atrás: R$ 2.444, ou 2,2 mínimos.

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A situação fica mais grave se for considerado o mínimo válido desde janeiro de 2022, de R$ 1.211. Nesse caso, a proporção cai para 2,0.

O IBGE informou ainda que o rendimento apurado de setembro a novembro de 2021 caiu 4,5% frente ao trimestre anterior e recuou 11,4% em relação ao mesmo período de 2020. 

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“Isso significa que, apesar de haver um aumento expressivo na ocupação, as pessoas que estão sendo inseridas no mercado de trabalho ganham menos. Além disso, há o efeito inflacionário, que influencia na queda do rendimento real recebido pelos trabalhadores”, explica a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

A defasagem, como disse a pesquisadora, é gritante se for considerado o desgaste que a inflação dessa quase uma década causou nesses valores. A calculadora do Banco Central mostra que o período teve inflação de 76,71%, de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), índice que o governo federal usa para quantificar o aumento de preços no país.

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Para que o trabalhador brasileiro continuasse ganhando o equivalente aos R$ 2.492 que recebia em média em março de 2012, hoje precisaria levar para casa pelo menos R$ 4.403 (R$ 1.959 de diferença em relação ao que se pagou há dois meses).

Usando a mesma calculadora, mas agora pensando na correção pelos 130% de variação detectados pelo IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado), da Fundação Getulio Vargas, o rendimento médio deveria ir a R$ 5.731, ou 2,3 vezes mais que os R$ 2.444 de novembro. O indicador é utilizado para reajustar anualmente os aluguéis, despesa da maior parte dos trabalhadores brasileiros. 

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