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Sem conexão, usina Teles Pires opera com 20% da capacidade

Economia|Do R7

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A hidrelétrica Teles Pires, construída na divisa entre Pará e Mato Grosso, continua à espera das linhas de transmissão para entrar em plena operação. Desde janeiro do ano passado, a usina, construída por Neoenergia, Furnas, Eletrosul e Odebrecht, vive o drama de concluir etapas da obra e não poder gerar energia por falta de conexão. O sistema de transmissão, que deveria ter sido concluído em janeiro do ano passado, até hoje não entrou em operação.

O último cronograma era 15 de abril, mas novamente foi descumprido. Luiz Fernando Vianna, presidente da estatal paranaense Copel - uma das sócias da Matrinchã, empresa que constrói a linha de transmissão -, afirma que as obras foram concluídas e aguardam a licença de operação, prevista para 8 de maio. "Se não tiver nenhum entrave, acredito que em 10 de maio possamos iniciar a operação comercial."

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O executivo, que está no comando da Copel desde dezembro de 2014, explica que o projeto sofreu com vários problemas na parte ambiental e também na desapropriação de áreas - o que provocou atraso de 15 meses no cronograma. Por esse motivo, a concessionária Matrinchã entrou com pedido de excludente de responsabilidade na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O sistema é composto por três subestações e 1.007 quilômetros (km) de linhas de transmissão.

Enquanto isso, a hidrelétrica Teles Pires amarga uma sequência de prejuízos por não poder operar a plena carga. A usina, de 1.802 megawatts (MW), tem cinco turbinas, todas prontas. Por causa da falta de linha, a produção está limitada a uma máquina, de 364 MW. No fim do ano passado, para equacionar o problema, a Aneel autorizou a uma linha provisória para escoar parte da energia da usina. A primeira turbina foi concluída em janeiro e as demais nos meses seguintes.

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Apesar da impossibilidade de produzir por causa de problemas alheios à construção da usina, a concessionária que opera Teles Pires terá de arcar com a conta de energia não gerada. A empresa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Aneel em que se compromete a pagar pela energia não produzida no período por causa da falta de transmissão.

Os valores serão distribuídos ao longo de 20 anos, durante a concessão da usina, que custou R$ 3,6 bilhões.

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Crise

Nos últimos anos, problemas como o vivido por Teles Pires se espalharam por todo o País. Alguns parques eólicos construídos no Nordeste ficaram quase dois anos parados por causa do descompasso entre a conclusão dos projetos de geração e transmissão de energia. Naquela época, o prejuízo provocado pelos atrasos nas linhas foi repassado para o consumidor, que pagou sem receber pela eletricidade.

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Hoje os empreendimentos de transmissão representam um dos maiores entraves do setor elétrico. Segundo relatório de fiscalização da Aneel, dos 351 projetos em construção no País, 60% estão atrasados. Apenas 6% têm cronograma de obras adiantado e 29% estão em ritmo normal.

Além da dificuldade para tirar as linhas já licitadas do papel, o governo também tem esbarrado na falta de apetite dos empreendedores para leiloar trechos importantes para o escoamento da energia elétrica em todo o sistema interligado nacional. No último leilão, ocorrido no dia 12 de abril, a Aneel conseguiu licitar apenas 58% dos lotes ofertados. O restante não teve interessado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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