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Setor automotivo do país fabrica apenas 40% do que pode produzir

Números de 2020 foram afetados pela pandemia, mas antes dela ociosidade das montadoras também era alta, afirma Anfavea

Economia|Marcos Rogério Lopes, do R7

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Produção de veículos despenca com fechamento de fábricas e protocolos de covid-19
Produção de veículos despenca com fechamento de fábricas e protocolos de covid-19

As montadoras instaladas no país amargaram em 2020 um de seus piores anos na história, mas só parte do problema pode ser atribuído à pandemia de covid-19, explica o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Carlos Moraes.

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O executivo diz que problemas estruturais, como altos impostos e dificuldades logísticas em um país do tamanho do Brasil, foram agravados em um ano de crise sanitária e precisam de apoio governamental para serem superados. Ele também citou a crise econômica na Argentina, que reduziu drasticamentes as exportações brasileiras nos últimos anos.

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A falta de peças foi outro problema que contribuiu para reduzir as atividades dos parques industriais.

Brasil perde posição em ranking mundial
Brasil perde posição em ranking mundial Anfavea / Reprodução

Saíram das fabricas no ano passado 2,01 milhões de veículos, apenas 40% da capacidade técnica de 5 milhões de carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus que podem ser produzidos.

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O recorde de unidades ocorreu em 2012, com 3,8 milhões automóveis.

Desde 2003, quando as montadoras produziram 1,7 milhão de veículos, não se registrava volume tão baixo quanto o de 2020.

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A queda tira do país, segundo estimativas preliminares da Anfavea, o oitavo lugar do ranking mundial. Quem ultrapassa o Brasil é a Espanha, nona colocada em 2019. 

A oferta da indústria automotiva em 2020 foi tão ruim que os estoques de veículos no mercado são os menores da história, suficientes apenas para 12 dias de venda nas concessionárias.

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"Embora dezembro de 2020 tenha sido bom para o setor, é um número que mostra que a gente ainda tem desafios importantes pela frente", analisou Moraes.

Entre suas reclamações está o recente aumento de impostos determinado pelo governo de São Paulo, João Doria (PSDB). "Em um carro usado que custa R$ 50 mil, houve aumento de 207% [no ICMS]", reclamou.

O mês de dezembro foi mesmo positivo, com 209,3 mil veículos fabricados, 22,8% a mais comparado ao mesmo mês de 2019. No ano, a queda foi de 31,6%: de 2,9 milhões para 2,01 milhões.

A pandemia

A produção total de 2020 é também a pior dos últimos 17 anos. Culpa dos meses no início da pandemia em que as montadoras ficaram praticamente paradas e, posteriormente, das reduções de jornadas e regras dos protocolos de segurança, que exigiram distanciamento entre os trabalhadores e, portanto, menos funcionários.

Abril foi o pior mês do ano, com quase desprezíveis 1,8 mil unidades fabricadas,  produção mais baixa desde 1957.

O setor de caminhões, com 90,9 mil unidades, fabricou a menor quantidade desde 2017. Mais dramática foi a situação do segmento de ônibus, com 18.400 unidades montadas e o pior resultado desde 1999.

"Os ônibus foram mais diretamente impactados pelas restrições impostas na economia", explicou o presidente da Anfavea, citando as reduções de viagens e deslocamentos de trabalhadores dentro das cidades.

Estoque baixo e exportação reduzida

Em um mercado interno com pouca capacidade de compra, por causa das altas taxas de desemprego e o receio de demissões, as vendas para o exterior também não ajudaram. "O país está exportando apenas 50% do que exportou em 2017 em termos de valor", contou Moraes.

Entraram nos caixas das empresas US$ 15,9 bilhões em 2017, valor que despencou para US$ 7,4 bi em 2020

Ele defendeu que o Brasil volte a competir no mercado internacional não apenas com produtos agrícolas, mas também com itens mais caros e com maior valor, como os automóveis. 

Moraes citou que avançaram em 2020 e têm boas chances de evoluírem ainda em 2021 os negócios com México, Colômbia, Uruguai e Chile.

Nos pontos positivos destacados na coletiva da Anfavea, na sexta-feira (8), estão a abertura de créditos às empresas que utilizam máquinas agrícolas e os bons números de dezembro, comparáveis aos períodos de antes da pandemia.

Para 2021, desde que não se agrave a pandemia de covid-19 e a crise econômica não prejudique ainda mais as indústrias, com elevação de impostos, a associação projeta um aumento na produção de ao menos 25%, com 2,52 milhão de unidades, e crescimentos de 9% nas exportações e 15% nas vendas.

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