Trabalho infantil recua 41% desde 2016 entre beneficiários do Bolsa Família, aponta IBGE
Número de crianças e jovens em situação ilegal no público atendido pelo programa caiu de 971 mil para 573 mil no período
Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília
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O número de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em lares atendidos pelo Bolsa Família caiu 41% desde 2016. Dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (16) pelo IBGE, mostram que o contingente de trabalhadores infantis no público do programa recuou de 971 mil para 573 mil pessoas em 2025.
Apenas no último ano, a retração foi de 20,1%, o que representa uma diminuição de 144 mil crianças e jovens em trabalho ilegal entre 2024 (quando somavam 717 mil) e 2025. Com isso, a proporção de beneficiários do programa nessa faixa etária que trabalham precocemente baixou para 4,4%.
Ao todo, o país registrava 13,1 milhões de pessoas de 5 a 17 anos vivendo em lares com rendimento do Bolsa Família em 2025 — o equivalente a 34,7% da população dessa idade no Brasil. Os trabalhadores infantis desse grupo representavam 38,2% de todo o contingente nacional em situação de exploração precoce (que somou 1,49 milhão em 2025).
Redução atinge todas as faixas etárias
A queda na taxa de trabalho infantil no público atendido pelo programa ocorreu em todos os grupos de idade analisados pelo IBGE:
- 5 a 13 anos: A proporção de crianças trabalhando caiu para 1,7% em 2025 (era de 3% em 2016 e de 2,3% em 2024).
- 14 e 15 anos: O índice recuou para 7,5% em 2025 (contra 13,2% em 2016 e 8,7% em 2024).
- 16 e 17 anos: A taxa baixou para 15% em 2025 (frente a 22,4% em 2016 e 16,4% em 2024).
O rendimento médio mensal real domiciliar per capita nos lares com crianças que recebiam o benefício era de R$ 660, enquanto nos domicílios não atendidos pelo programa o valor alcançava R$ 1.990.
Recuo de 42,9% nas piores formas de trabalho
A pesquisa do IBGE também aponta que, em 2025, 525 mil crianças e adolescentes realizavam atividades econômicas da lista das piores formas de trabalho infantil, o equivalente a 1,4% da população de 5 a 17 anos.
O resultado representa o menor patamar de toda a série histórica e uma redução acumulada de 42,9% em relação a 2016, quando 919 mil jovens estavam nessas condições. Na comparação anual com 2024 (quando eram 560 mil), o recuo foi de 6,3%.
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