Análise: mérito real do novo PNE é encarar a desigualdade na educação brasileira
Especialista defende que, se bem implementado, plano pode ajudar o país a superar exclusão histórica
Educação|Do R7, com RECORD NEWS
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
O mérito real do novo PNE (Plano Nacional de Educação) é encarar e lidar com a desigualdade no Brasil, diz o PhD em educação e pesquisador Rafael Parente em entrevista ao Conexão Record News. Sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (14), o texto estabelece 73 metas e 19 objetivos a serem alcançados nos próximos dez anos pela educação brasileira — o que, segundo o especialista, “vai depender fundamentalmente da nossa capacidade de implementação”.
Também são apontadas estratégias para atingir as metas de aprendizagem, que deverão ser acompanhadas a cada dois anos. Entre as pretensões está a ampliação do atendimento em creches e do número de escolas de tempo integral, além da alfabetização de todos os alunos até o 2º ano do ensino fundamental até 2036. O plano ainda prevê alcançar até 10% do PIB em investimentos na educação até o fim deste mesmo prazo.

Ainda que para muitos o programa possa parecer uma “lista de desejos”, Parente defende que ele vai testar a maturidade do Brasil enquanto nação. “Quando ele joga luz, por exemplo, nas populações indígenas, quilombolas, do campo, ele reconhece uma coisa que por muito tempo a gente demorou a admitir, que é que qualidade da educação, numa nação tão diferente como a nossa, não pode significar que a gente tem o mesmo padrão de escola e de educação para todo mundo.”
Na contramão de uma universalização, o pesquisador defende que uma boa educação é forte e exigente, mas também conectada ao território, à cultura, à língua, à memória e às especificidades de cada comunidade. “E a gente precisa trazer isso tudo para dentro da sala de aula, para dentro da didática, com orgulho e com valorização.” Segundo ele, um dos principais avanços do plano é justamente a compreensão de que equidade não significa tratar todos da mesma forma.
“A gente precisa garantir mais e melhor para quem historicamente recebeu menos e isso vale tanto para indígenas, quilombolas, populações do campo, mas para estudantes também com deficiências, surdos, as crianças e jovens que por muito tempo ficaram marginalizados das melhores experiências educacionais. Se a gente tiver coragem de sustentar esse plano na prática, ele pode sim ajudar o nosso país a trocar uma lógica histórica de exclusão por uma lógica que seja mais justa, de justiça educacional para todos.”
Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!













