Bullying cresce nas escolas e atinge mais meninas, diz pesquisa
Levantamento do IBGE mostra avanço da violência entre estudantes, impacto nas redes sociais e principais motivos das agressões
Educação|Clarissa Lemgruber e Leonardo Meireles, do R7, em Brasília

O bullying segue presente na rotina escolar e atinge milhões de estudantes no Brasil. Dados da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), feita pelo IBGE, indicam aumento nos casos e mostram diferenças entre sexo, regiões e tipo de escola.
No país, 27,2% dos estudantes relataram ter sofrido bullying duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa. Em 2019, esse índice era de 23%. Ao mesmo tempo, 59,7% disseram não ter passado por esse tipo de situação.
O recorte por sexo revela desigualdade. Entre meninos, 62,7% afirmaram não sofrer agressões. Entre meninas, esse percentual cai para 56,7%. Já a ocorrência frequente atinge 30,1% das alunas, contra 24,3% dos alunos.
“A diferença do sexo é realmente significativa”, admite Marco Antônio Ratzsch de Andreazzi, gerente de Pesquisas Especiais do IBGE.
A Região Sudeste concentra os maiores índices de vítimas recorrentes, com 28,1%, acima da média nacional. No Sul, aparecem os menores números, com 25,7%.
Quando o tema é prática de agressões, 13,7% dos estudantes admitiram ter intimidado colegas. O comportamento é mais comum entre meninos, com 16,5%, enquanto entre meninas o índice chega a 10,9%.
A diferença entre quem sofre e quem pratica chama atenção. O total de vítimas, 27,2%, quase dobra o de agressores, 13,7%.
Públicas e particulares
A análise por tipo de escola mostra cenário semelhante. Na rede pública, 27,2% relataram vitimização. Na privada, 27,5%. Entre quem pratica, os índices também são próximos: 13,6% na pública e 14,0% na privada.
“A diferença é praticamente insignificante, o que caracteriza como um problema universal, um problema que não se flexiona muito no que diz respeito à classe social ou poder aquisitivo. Isso se difere da maioria dos fatores de risco analisados. E tem uma diferenciação importante, no caso do bullying. Ambos sofrem de maneira muito semelhante”, explica Andreazzi.
Aparência lidera motivos para bullying
A aparência aparece como principal fator por trás das agressões. Entre vítimas, 30,2% citaram rosto ou cabelo e 24,7% mencionaram corpo.
Outros motivos incluem cor ou raça (10,6%), roupas e acessórios (10,1%), sotaque (8,9%), religião (7,1%) e gênero ou orientação sexual (6,4%).
Entre agressores, os principais motivos seguem padrão semelhante: aparência do rosto ou cabelo (22,8%), corpo (17,1%) e cor ou raça (17,1%).
Um dado relevante aponta dificuldade em identificar causas. Entre vítimas, 26,3% disseram não saber o motivo.
“Parte dos alunos (26,3%) não sabe identificar uma causa específica para o bullying sofrido. E isso é natural. O bullying é algo que ocorre coletivamente e aquele que está sofrendo não vê, necessariamente, uma razão para isso. Pelo contrário: sente-se extremamente injustiçado”, afirma o pesquisador.
Entre agressores, 27,4% afirmaram ter agido sem razão clara.
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Cyberbullying
A violência também se expandiu para o ambiente digital. Em 2024, 12,7% dos estudantes relataram ter sofrido cyberbullying, o equivalente a cerca de um em cada oito adolescentes.
Entre meninas, o índice chega a 15,2%. Entre meninos, 10,3%.
A rede pública apresenta maior incidência, com 13,4%, enquanto na rede privada o percentual é de 9,4%.
Por região, o Norte lidera com 15,8%, seguido pelo Nordeste, com 13,6%. Sul e Sudeste registram os menores índices, com 11,5% e 11,8%, respectivamente.
A prática também aparece nos dados. Cerca de 10% dos estudantes admitiram ter cometido cyberbullying. O comportamento é mais frequente entre meninos (11,6%) do que entre meninas (8,4%).
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