Educação Estudantes da Unesp impedem professor acusado de assédio de dar aula em Bauru

Estudantes da Unesp impedem professor acusado de assédio de dar aula em Bauru

Manifestação ocorre após o surgimento de inúmeras denúncias contra Marcelo Bulhões nas redes sociais. Ele diz estar 'chocado' com as acusações

  • Educação | Do R7

Estudantes colam cartazes contra Bulhões pelo campus da Unesp

Estudantes colam cartazes contra Bulhões pelo campus da Unesp

Reprodução/Twitter

Um grupo de estudantes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Bauru protestou na noite desta sexta-feira (1º) contra o retorno de Marcelo Bulhões, professor de literatura acusado de assédio sexual, às salas de aula da Faac (Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design).

A manifestação que impediu a aula de Bulhões ocorre após o surgimento de inúmeras denúncias nas redes sociais. Nos relatos, as estudantes reproduzem imagens de conversas com conotação sexual supostamente enviadas pelo professor.

As alunas afirmam que o professor, ciente das manifestações, não chegou a aparecer na universidade para lecionar. Elas cobram o chefe do departamento de ciências humanas pela escalação de Bulhões para as aulas, apesar da série de denúncias.

No protesto, as estudantes colaram cartazes com frases contra o professor na porta das salas de aula da instituição. "R$ 23.223,25. Esse é o valor que a Unesp paga todo mês para Marcelo Magalhães Bulhões assediar suas alunas", diz uma das placas.

Os relatos mostram ainda que as investidas do professor ocorriam sempre em emails com conotação sexual, em investidas na sala de orientação e em mensagens enviadas às alunas de madrugada.

Questionado pelo R7 sobre as acusações, Bulhões afirmou estar "chocado" com as acusações e respondeu por meio da seguinte nota:

Foi com estarrecimento que fiquei sabendo que cartazes foram afixados no campus com teor acusatório a mim. Estou ainda chocado.

De modo semelhante, foi com enorme e desagradável surpresa que em 2019, em postagem no Facebook, recebi uma acusação de assédio. Naquela altura, ao tomar conhecimento que um coletivo da Unesp havia feito acusações com esse teor, solicitei uma reunião com o grupo de alunas. Elas recusaram o diálogo. Solicitei essa reunião por, naquela altura, estar totalmente perplexo diante das acusações. Uma comissão de sindicância foi, então, constituída pela FAAC – Unesp. Após um processo de investigação, o arquivamento do processo se fez precisamente por afiançar que nenhuma ação do teor de assédio foi por mim cometida. No curso do processo, aliás, recebi depoimentos de incondicional apoio e elogio ao meu profissionalismo, escritos por dezenas de alunas que foram minhas orientandas (mestrado, doutorado e iniciação científica). Portanto, só posso afirmar que estou absolutamente estarrecido diante de uma situação que julgo absurda. Os cartazes, aliás, foram anonimamente forjados e afixados no campus.

Sou docente da Unesp desde 1994, ou seja, trata-se de 28 anos de trabalho em sala de aula, tendo atuado ao lado de milhares de alunos, sem que qualquer mínimo indício concreto do que se pode ser classificado como assédio possa ser apontado.

Atingem-me do modo mais vil.

Entendo que legítimas e importantes demandas da atualidade — luta contra o racismo, movimento feminista — têm produzido uma mobilização de empatia diante de causas importantes. Nesse caso, todavia, estou sendo vítima de calúnia, cuja propagação em tempos digitais é implacável

A Unesp também se pronunciou por meio de nota, informando que acompanha o caso:

A Unesp, câmpus de Bauru, vem a público informar que está atenta e acompanhando, desde a manhã desta sexta-feira, as manifestações que circulam nas redes sociais e em cartazes dentro do câmpus referentes à conduta inadequada por parte de um dos seus docentes.

Cabe esclarecer que em 2017 foi instaurada uma apuração preliminar de natureza investigativa a partir de denúncias de assédio do docente mencionado nos cartazes. Tal processo culminou em uma sindicância administrativa contra este servidor, finalizada em 2018. A comissão sindicante, à época, indicou o arquivamento dos autos com recomendações, tais como instauração de mecanismos para fomentar medidas educativas e elucidativas sobre assédio.

A Unesp vem desenvolvendo, desde então, ações efetivas de combate à violência, sobretudo ao assédio: Guia contra o Assédio, Aplicativo UNESP Mulheres e Protocolo Institucional de Acolhimento às Vítimas de Violência Sexual, entre outras.

A Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC) repudia toda e qualquer prática de assédio. A FAAC defende a dignidade humana e é pautada por princípios que visam garantir o respeito e convívio harmônico em quaisquer circunstâncias e locais, especialmente em sua ambiência acadêmico-laboral. Nesse sentido, afirma que não medirá esforços para colaborar com as soluções de qualquer fato oficialmente demandado, tomando as medidas cabíveis, seguindo os protocolos administrativos com ética, responsabilidade e transparência.

A FAAC reitera que toda e qualquer prática de assédio não é tolerada e ressalta a importância da formalização de denúncias, nos vários canais, inclusive na Ouvidoria da Unesp, que inclusive pode garantir o anonimato, evitando a exposição de vítimas e cobrando da comunidade unespiana atitudes que correspondam aos valores sociais e humanos condizentes com a excelência dos serviços públicos prestados pela instituição.

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