Educação “Faremos tudo para garantir as bolsas”, diz reitor da Unicamp

“Faremos tudo para garantir as bolsas”, diz reitor da Unicamp

Professor Marcelo Knobel criou grupo de estudo para buscar alternativas de recursos aos cortes das bolsas no CNPq e na Capes

Unicamp busca alternativa aos cortes de bolsas

Marcelo Knobel busca alternativas aos cortes

Marcelo Knobel busca alternativas aos cortes

Antonio Scarpinetti/Unicamp

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) estuda alternativas aos cortes anunciados pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) anunciados na última semana. Diante desse cenário, reitor Marcelo Knobel anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir medidas emergenciais de apoio aos pós-graduandos atingidos pelo contingenciamento.

“Estamos muito preocupados com essa situação e aguardando para ver o que vai acontecer de fato, mas já criamos um grupo de trabalho para pensar em alternativas”, diz Knobel. “Estamos avaliando todas as possibilidades e vendo se é possível conseguir apoio para que haja a continuidade dos trabalhos e da pesquisa.”

O grupo de trabalho é destinado a estabelecer o Programa Emergencial de Apoio a Bolsistas do CNPq. Caberá ao grupo definir e implantar, no prazo de trinta dias, um eventual apoio aos alunos, como acesso à alimentação, bolsa moradia, suporte à saúde mental e criação de um fundo de apoio. No entanto, o remanejamento de recursos internos deverá ser submetido ao Conselho Universitário.

A Unicamp também enviará à Presidência, a todos os Ministérios, ao Congresso Nacional e ao Governo de São Paulo, uma moção da Universidade contra os cortes de recursos às bolsas do CNPq e da Capes. O documento foi aprovado na última terça-feira (3) pela Câmara de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) e pela Câmara de Administração (CAD) da Unicamp.

“Essa não é uma situação simples e estamos em contato com o MEC e ao mesmo tempo compasso de espera para garantir os recursos, ao menos, até o fim do ano”, avalia.

Atualmente, CNPq e Capes aportam cerca de R$ 12 milhões mensais para financiamento de bolsas a 5 mil estudantes de pós-graduação na Unicamp. 
Na semana passada, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) – ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações — anunciou um possível corte nas bolsas oferecidas pelo Conselho neste mês de setembro. Somente em São Paulo, mais de 18 mil pesquisadores seriam atingidos.

Já a Capes – órgão ligado ao MEC (Ministério da Educação) -  suspendeu 5.613 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado que estavam previstas para os quatro meses restantes do ano. Essa medida da Capes representa uma economia de R$ 37,8 milhões neste ano. A previsão é que, nos próximos quatro anos, R$ 544 milhões deixem de ser investidos em bolsas.

O ministro Marcos Pontes anunciou na quarta-feira (4) que fará um remanejamento no orçamento do CNPq para conseguir pagar as bolsas neste mês de setembro. No entanto, com os cortes no orçamento do MCTIC, a situação até o fim do ano não está resolvida. Um dos pedidos do ministro é que o dinheiro do fundo da Operação Lava Jato seja usado no CNPq. Nada definido até o momento.