Logo R7.com
RecordPlus
Educação
‌

Fundações são usadas em obras de universidades federais

Os casos foram questionados em auditoria da CGU, finalizada em dezembro de 2014

Educação|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
O maior montante de terceirização foi identificado na UFPel
O maior montante de terceirização foi identificado na UFPel

Sete universidades federais usaram fundações de apoio para tocar obras com recursos do programa de reestruturação e expansão das instituições federais de ensino superior, o Reuni. Os casos foram questionados em auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União), finalizada em dezembro. O valor das obras chega a R$ 55,1 milhões.

A CGU fiscalizou 73 obras e em 11 delas - 15% do total - reformas e construções de responsabilidade das universidades foram repassadas às fundações, "caracterizando-se a terceirização da execução das obras", segundo indica o relatório.

‌

Em geral, as fundações são criadas por professores para dar apoio a atividades relacionadas a ensino, pesquisa e extensão. O CGU ressalta que o repasse dos recursos da obra para a fundação de apoio dificulta o acompanhamento e controle dos atos praticados, pois esta não tem capacidade técnica para execução de obras, o que acarreta a subcontratação. E a controladoria ainda recomendou o fim desse tipo de transferência.

Leia mais notícias de Educação

‌

Decreto que regulamenta o trabalho dessas entidades determina que elas só podem atuar em projetos de melhoria de infraestrutura em obras laboratoriais, aquisição de materiais e equipamentos e outros insumos relacionados às atividades de inovação e pesquisa.

O maior montante de terceirização foi identificado na UFPel (Universidade Federal de Pelotas), no Rio Grande do Sul. A instituição repassou para a Fundação Simon Bolívar três obras no valor de R$ 13,2 milhões. Os trabalhos identificados foram a construção de um poço artesiano, substituição de esquadrias de um prédio no câmpus de Capão do Leão e a reforma de um setor na Faculdade de Medicina.

‌

A Fundação Simon Bolívar foi criada em 1996 com, de acordo com o portal da UFPel, a finalidade específica de desenvolver estudos e atividades relacionadas com os processos de desenvolvimento e integração regional. A universidade informou que não há mais obras sendo realizadas por fundações.

Salas

‌

Além da UFPel, aparecem na auditoria da CGU terceirização de obras nas federais do UFRN (Rio Grande do Norte), UFG (Goiás), UFPB (Paraíba), Unir (Rondônia), UFJF (Juiz de Fora) e UFLA (Lavras). Em cinco universidades os projetos de construção de salas de aula são tocados por fundações, como é o caso da UFPB. A construção de um bloco de salas no câmpus na cidade de Bananeiras, no valor de R$ 9,7 milhões, foi repassada para a Fundação José Américo.

Obras de salas e moradia estudantil, no valor de R$ 4,4 milhões, foram intermediadas por uma fundação da UFG, a Funape. A UFG informou que a fundação só intermediou o pagamento da empresa executora da obra, escolhida por licitação. De acordo com a UFG, não há mais repasses à Funape para esse fim.

Na UFRN, uma fundação foi incumbida, por exemplo, de fazer a construção de salas e da residência universitária. As obras tinham o valor de R$ 21,9 milhões, mas acabaram excluídas do convênio e deixaram de ser executadas pela fundação.

O professor Paulo Rizzo, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), critica a atuação das fundações.

— O problema continua e não vai ser resolvido enquanto o sistema não for desburocratizado no sentido de não precisar mais das fundações.

A Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), que representa as federais, não quis se pronunciar.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.