Educação Governo americano anuncia investimentos em educação e cultura no Brasil

Governo americano anuncia investimentos em educação e cultura no Brasil

Programas vão atender estudantes interessados em programas voltados para a Amazônia, além de apoio ao restauro da Casa da Glória, em Diamantina

Lee Satterfield, secretária adjunta para assuntos de educação e cultura dos Estados Unidos

Lee Satterfield, secretária adjunta para assuntos de educação e cultura dos Estados Unidos

Edu Garcia/R7 - 12.07.2022

Conectar culturas e promover trocas entre as pessoas de diferentes países estão entre os principais objetivos do governo norte-americano ao anunciar investimentos em projetos voltados para a educação e cultura no Brasil. A secretária adjunta para assuntos de Educação e Cultura do departamento de Estado dos EUA, Lee Satterfield, visitou o país para conhecer as ações desenvolvidas em São Paulo e Rio de Janeiro e conversou com o R7 sobre os novos programas. 

Na terça-feira (12), a embaixada americana, por meio do U.S. Ambassador’s Fund for Cultural Preservation (AFCP), anunciou um investimento de US$ 235.000,00 (R$ 1.264.300,00) à UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) para o restauro da Casa da Glória — uma construção do século 18, localizada na cidade histórica de Diamantina, além da preservação dos arquivos do Museu de Arte do Rio Grande do Sul.

"Essa ação faz parte da política do governo dos Estados Unidos em preservar a história, investimos em ações como esta em outros países também, sempre em parceria com instituições", explica Lee Satterfield. "No Brasil, já investimos em outras obras como o restauro do museu de artes em parceria com a Biblioteca do Congresso em Washington DC. e no Cais do Valongo, no Rio de Janeiro."

O Cais do Valongo é um importante sítio arqueológico localizado na região portuária do Rio de Janeiro e reúne peças e objetos que remontam o período da diáspora africana. Segundo o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), quase um quarto dos africanos escravizados nas Américas foram trazidos para o Brasil e 60% entraram pelo Rio de Janeiro.

"Nós ajudamos na parte das escavações. Este é um sítio arqueológico muito importante, nos lembra das semelhanças que temos na história dos nossos países, com um passado associado à escravidão", diz. "É muito importante lembrar do passado para que ele não se repita. Essa é uma das razões pelas quais os Estados Unidos investem na preservação do patrimônio porque é parte da história das pessoas e parte da cultura."

Casa da Glória, em Diamantina, passará por um processo de restauração

Casa da Glória, em Diamantina, passará por um processo de restauração

Robson Almeida/Iphan/Divulgação

Nesta mesma linha, "restaurar a Casa da Glória, que faz parte do Patrimônio Cultural da Unesco, significa devolver parte da história, incentivar a economia local por meio do turismo e gerar empregos."

Amazônia

Seguindo o mote de conectar pessoas, dois programas foram anunciados com foco na Amazônia. O primeiro é o Fulbright Amazonia Initiative que selecionará pesquisadores, líderes e profissionais do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela, além dos Estados Unidos.

Os pesquisadores vão trabalhar conjuntamente em pesquisas aplicadas multidisciplinares que visem apoiar a integridade do ecossistema e a biodiversidade, consequentemente melhor a qualidade de vida das comunidades locais.

Esse programa terá 18 meses de duração e receberá um investimento de US$ 1 milhão (R$ 5.438.400,00), co-financiado pelo governo americano e a Comissão Fulbright Brasil. Entre agosto e setembro de 2022, será lançado o edital para selecionar os pesquisadores de todos os países participantes.

"Este programa representa bem a proposta do presidente Biden de conectar pessoas, promover a troca de experiências entre pesquisadores de dois países, construir relações mútuas para encontrar soluções às mudanças climáticas", observa. "

Já o programa Access Amazon deve ensinar o inglês para 140 indígenas, de 18 a 35 anos, residentes em um dos estados da Amazônia Legal. O curso online está marcado para ter início em setembro deste ano e vai até junho de 2023. As inscrições estão abertas até o dia 25 de julho.

"Acreditamos que ensinar inglês para as comunidades locais é um caminho  para que essas pessoas se insiram na economia global, abre portas e traz benefícios a elas, não apenas para elas, mas para todos", avalia.

O programa é uma iniciativa da Embaixada e Consulados dos Estados Unidos no Brasil, por meio do Escritório Regional de Ensino de Língua Inglesa e tem um investimento de US$ 145.000,00 (R$ 787.020,00). A implementação fica por conto do Grupo +Unidos, com apoio estratégico da Plataforma Parceiros pela Amazônia.

Últimas