Educação Hip Hop invade a sala de aula e transforma vida de alunos em SP

Hip Hop invade a sala de aula e transforma vida de alunos em SP

Alunos participam de oficinas de rimas, de dança e de grafite em escolas municipais de Diadema. Experiência será debatida em seminário 

Hip Hop invade a sala de aula

Crianças participam de oficinas fora do horário de aula em Diadema

Crianças participam de oficinas fora do horário de aula em Diadema

Edu Garcia/R7 - 4.10.19

“O Hip Hop é um jeito de ser e de expressar a alegria que eu tenho dentro de mim”, assim que Guilherme Vilalba do Nascimento, de 11 anos, define as aulas extras oferecidas na EMEB Mario Santalúcia, em Diadema.

A escola participa de um programa Cidade da Escola, um programa da prefeitura que abre espaço para a cultura Hip Hop em sala de aula. Ao menos 1500 crianças são atendidas pela turma do Instituto Matéria Rima, um grupo que surgiu para transformar o conteúdo formal em algo mais próximo da realidade das crianças e de forma mais divertida.

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Estudantes de 9 a 11 anos participam de oficinas de grafite, rima e dança após as aulas. Eles foram os responsáveis por transformar o muro cinza da escola em um painel multicolorido. Nas oficinas de rimas, eles discutem temas da atualidade como o trabalho infantil, por exemplo. “Criança quer estudar, quer brincar e não trabalhar” cantam o rap enquanto dançam ritmados na sala de aula.

Alunos aprendem ritmo e dança

Alunos aprendem ritmo e dança

Edu Garcia/R7 - 04.10.19

Há 5 anos à frente da direção da escola, Simone Rodrigues Allersdorfer Lopes, é uma defensora das aulas de Hip Hop para os seus alunos. “Tudo muda na vida dessas crianças, eles passam a ver a realidade de outra maneira, percebem que são capazes, que podem fazer as coisas de uma forma diferente e o mais importante: eles têm perspectiva de vida.”

Para Simone, as crianças que participam das aulas extras mudam a postura na sala de aula. São mais focadas e mais críticas também. “Eles ficam mais confiantes para expressar sua opinião, por exemplo”, diz. “Muitos alunos moram na comunidade Morro do Samba e não têm oportunidade de lazer, essas aulas suprem isso e aproximam a família da escola”. Os pais foram convidados a pintar o muro da escola ao lado dos filhos.

Grafite deu cor ao muro cinza da escola

Grafite deu cor ao muro cinza da escola

Edu Garcia/R7 - 04.10.19

“A aula fica muito mais atrativa quando aprendemos fazendo um rap”, diz Nicolas Ulisses Nascimento Silva, do Matéria Rima. “Não queremos que eles se tornem MCs, mas que possam sonhar e realizar, que sejam pessoas que respeitem e sejam respeitadas.”

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Os estudantes são recebidos em uma roda de conversa. “Damos acolhimento e escuta, sem dúvida o ponto mais importante porque eles têm espaço para compartilhar o que estão vivendo e sentindo”, observa a coordenadora pedagógica do grupo, Josiane Silva.

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Para discutir métodos e trocar experiências, o Instituto organiza um Seminário Internacional de Educação Não Formal - A Educação que Rompe Fronteiras entre os dias 23 e 25 de outubro. A proposta é trocar experiências de atividades realizadas no Brasil e também no exterior.

Entre os convidados, o GangWay Street College, que surgiu na Alemanha, em 1990, que trabalhou com expressões artísticas para diminuir a violência pós queda do muro de Berlim. No dia 23 a programação começa às 8h no Auditório Fundação Florestan Fernandes e termina no dia 25 na Fábrica de Cultura de Diadema. A programação completa e mais informações estão disponíveis do site do Matéria Rima.

Simone Lopes, diretora: "os alunos passam a ter perspectiva de vida"

Simone Lopes, diretora: "os alunos passam a ter perspectiva de vida"

Edu Garcia/R7 - 04.10.19