Educação Mercadante rebate Bolsonaro e defende questão sobre feminismo no Enem

Mercadante rebate Bolsonaro e defende questão sobre feminismo no Enem

Citação da ativista Simone de Beauvoir no primeiro dia de prova gerou polêmica nas redes

  • Educação | Bruno Lima, do R7, em Brasília

Mercadante divulgou balanço do Enem na noite deste domingo

Mercadante divulgou balanço do Enem na noite deste domingo

Wilson Dias/03.09.2015/Agência Brasil

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, rebateu neste domingo (25) as críticas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) à questão do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) 2015 que citou um texto da feminista francesa Simone de Beauvoir.

Por uma rede social, Bolsonaro disse que “tão grave quanto a corrupção é a doutrinação imposta pelo PT junto a nossa juventude” e ironizou afirmando que Enem seria uma sigla para “Exame Nacional do Ensino Marxista”.

Em entrevista coletiva, Mercadante defendeu que o “debate pedagógico e político” é próprio de um exame como o Enem.

— A Simone de Beauvoir é uma intelectual internacionalmente conhecida. A grande contribuição literária dela se dá ali nos anos 50, 60 onde a questão central era exatamente a condição da mulher na sociedade.   

O ministro aproveitou para comentar o tema da redação escolhido para o Enem. Candidatos que prestaram o segundo dia de provas tiveram que escrever um texto sobre "a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”.

— Eu achei um tema excelente. Defende integralmente essa pauta, acho que foi uma excelente escolha, estão de parabéns aqueles que o fizeram. Acho que ajuda a uma reflexão de quase 7 milhões de participantes pararem para pensar sobre isso.

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Nas redes sociais, o tema escolhido gerou polêmica. Grupos feministas e apoiadores elogiaram a escolha, mas teve internauta que achou o tema ideologizado. Diversas postagens no Twitter chamaram o MEC (Ministério da Educação) de comunista e vincularam a luta pelo direito das mulheres ao nazismo, usando o termo “feminazi”. 

Mercadante lembrou que no Brasil, até 1962, a mulher juridicamente era considerada no casamento como "relativamente incapaz" e que até os anos 30 não tinha direito sequer a votar. 

— Quem sabe se nós debatermos com mais transparência essa questão a gente consiga diminuir a violência e seria um grande avanço para a cidadania e para democracia brasileira. Mais respeito as mulheres brasileiras. 

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