Síndrome de Burnout se destaca como doença adquirida no trabalho
Popularidade da doença fez pesquisas aumentarem em mais de 400% no Google
Educação|Do R7 Bolsas de Estudo

Burnout: palavra de origem inglesa, sua tradução literal é “queimar-se por completo”. Na área da saúde, refere-se à síndrome que causa estresse crônico e incapacitante ao trabalhador. Ambiente tóxico, grande volume de demanda para dar conta, assédio sexual e clima corporativo ruim são alguns dos problemas no ambiente de trabalho que podem desencadear a Síndrome de Burnout, trazendo prejuízos à saúde e ao cumprimento das atividades.
Pouco falado até meados da pandemia de Covid-19, a Síndrome de Burnout foi um dos transtornos mentais que se destacaram nesse período, sobretudo pela mudança de ritmo de trabalho imposta para algumas pessoas. Diante da crescente solicitação de licença devido à doença, no início desse ano a Síndrome de Burnout entrou em vigor na nova classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a CID 11, caracterizada como "estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso".
A concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez por transtornos mentais e comportamentais bateu recorde em 2020, segundo números da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. Com isso, os transtornos mentais estiveram em maior evidência no ranking de afastamentos do trabalho por doença ocupacional, conforme a Secretaria.
Na prática, a mudança reconhece a síndrome como uma doença relacionada ao trabalho e facilita o reconhecimento pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) do direito ao afastamento do trabalhador por doença ocupacional.
Na opinião da psicóloga clínica e doutora em Medicina, Sílvia Cal, “burnout realmente é uma doença ocupacional”. Para a profissional, muitas empresas focam na produtividade, mas esquecem que isso sem saúde mental não é importante e deixa vulnerável a própria instituição. “A pessoa com burnout não sente vontade de levantar da cama para trabalhar, além de poder apresentar dor de cabeça e ansiedade, a autoestima fica baixa, o indivíduo deixa de acreditar em si e no seu potencial. É uma síndrome que tem relação com o trabalho”, explica a psicóloga.
Com duração indeterminada, que varia em cada pessoa, a síndrome precisa ser tratada a fim de evitar uma evolução e maior prejuízo na saúde do indivíduo. Após a confirmação do diagnóstico, é necessário acompanhamento com psicólogo ou psiquiatra, quando for o caso, e terapia.
Popularidade da síndrome
Apesar de não ser uma síndrome nova - em 1970 o psicanalista alemão Freudenberger nomeou a doença após constatá-la em si mesmo - as buscas pelo termo “burnout” no Google cresceram em 2021, atingindo popularidade máxima de 100%, conforme aponta o indicador da plataforma de pesquisas Google Trends.
A procura por testes para essa síndrome aumentou em mais de 400% no ano, segundo a plataforma, e o interesse por saber os sintomas da síndrome de burnout aumentou repetinamente ficando no topo das pesquisas sobre o assunto. “Artigos recentes focados em burnout têm falado muito da meditação como auxílio para a eficiência do tratamento da síndrome, principalmente o mindfulness. Existem aplicativos, livros e cursos que ensinam a meditar e temos percebido que realmente ajuda no tratamento, aliado com o acompanhamento psicológico”, reitera a psicóloga Sílvia Cal.
Fonte: Agência Educa Mais Brasil














