Educação Teoria antichute: conheça o cálculo que dará a sua nota após todas as provas do Enem

Teoria antichute: conheça o cálculo que dará a sua nota após todas as provas do Enem

Método impede ou diminui a possibilidade de fraude no exame e elimina distorções como o fator sorte, avalia presidente do Semesp

  • Educação | Vivian Masutti, do R7

Resumindo a Notícia
  • A TRI faz a relação entre a probabilidade de acerto e a proficiência dos participantes.

  • Duas pessoas com a mesma quantidade de acertos são avaliadas de formas distintas.

  • Não é possível comparar o número de acertos de diferentes áreas do conhecimento.

  • A teoria possibilita realizar uma comparação entre as diferentes edições do exame.

Enem dá nota com base na TRI

Enem dá nota com base na TRI

Cottonbro Studio/Pexels

Após os dois domingos de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), é importante que o estudante entenda como funciona o processo de correção, feito com base na teoria de resposta ao item.

A TRI é um conjunto de modelos matemáticos que busca representar a relação entre a probabilidade de o participante responder corretamente a uma questão, seu conhecimento na área em que está sendo avaliado e as características dos itens.

Sendo assim, essa teoria pressupõe que um aluno com certo nível de proficiência tende a acertar os itens de nível de dificuldade menor do que o de sua área de domínio e errar aqueles com nível de dificuldade maior. Ou seja, o padrão de resposta do participante é considerado no cálculo do desempenho.

Por esses motivos, é praticamente impossível calcular a nota exata do Enem em casa, com base somente no gabarito. Vale lembrar que a redação ainda faz parte desse cálculo.

"Por isso, o nosso esforço em ter rigor e qualidade técnica. Dessa forma, garantimos a isonomia entre os participantes”, ressalta Rubens Campos, diretor de Avaliação da Educação Básica (Daeb) do Inep, em live que está disponível no canal do Inep no YouTube.

A TRI considera a particularidade de cada item. Sendo assim, duas pessoas com a mesma quantidade de acertos são avaliadas de forma distinta, dependendo de quais itens estão certos e errados. Esses participantes podem, assim, ter notas diferentes.

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Procurada pelo R7 para comentar o assunto, Lúcia Teixeira, presidente do Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil, ressalta que o uso da teoria de resposta ao item impede ou diminui a possibilidade de fraude no exame.

"É uma metodologia bastante importante e robusta, que permite aplicar um exame dessa magnitude. O Enem é uma das maiores provas aplicadas no mundo, e um dos fatores que permitem isso é o uso dessa teoria, eliminando as distorções que esse tipo de exame gera. Por ser um vestibular, muitas vezes a sorte pode ajudar um aluno e o azar pode prejudicar outro", diz Lúcia.

"É um sistema antichute, para tornar algo mais justo. Eu acertei uma questão que a maioria errou, então era mais difícil. Mas errei três que todo mundo acertou. Então eu não vou ter uma nota maior por isso, pois a TRI entende que eu chutei. Eu não sabia, eu tive sorte", avalia Priscila Naves, coordenadora pedagógica do cursinho Aprova Total.

"Não tem como tirar mil em nenhuma das áreas. Se o aluno gabaritar, o que nunca ocorreu, ele não tira mil porque a nota é calculada com base nas provas das outras pessoas. Ele só consegue tirar mil na redação", completa.

Edmilson Motta, coordenador do curso Etapa, é outro especialista que afirma que a teoria de resposta ao item valoriza a coerência de acertos.

"Mesmo com a complexidade de adotar esse tipo de sistema, ele ainda é vantajoso, porque permite atribuir notas diferentes a um grande número de pessoas, como é o caso do Enem. No caso do uso da nota do exame para sistemas de seleção de universidades, a classificação dos candidatos para os cursos mais concorridos é decidida por diferenças mínimas de pontuação."

Os parâmetros da TRI

A escala de cada questão é o que determina a probabilidade de participantes com proficiência igual ou maior à daquele nível de responderem corretamente àquelas que estão nesse nível e em níveis inferiores.

Questões pedagogicamente mais fáceis serão posicionadas na parte inferior da régua, e as pedagogicamente mais difíceis, na parte superior, bem como os candidatos. 

Assim, a TRI qualifica o item de acordo com três parâmetros:

• poder de discriminação, que é a capacidade de um item distinguir os estudantes que têm a proficiência requisitada daqueles que não a têm;
• grau de dificuldade;
• possibilidade de acerto ao acaso (chute).

Logo, a teoria entende que: 

• se o aluno acertar questões fáceis e médias e errar as difíceis, significa que ele tem um conhecimento médio naquela área;
• se acertar as fáceis, as médias e as difíceis, provavelmente é muito bom naquela disciplina;
• mas se errar as fáceis e as médias e acertar algumas difíceis, é grande a chance de ele ter chutado.

Não é possível comparar o número de acertos em uma área do conhecimento com o de outra. Dessa forma, acertar 40 itens em uma área não significa, necessariamente, ter uma proficiência maior do que em outra, cujo número de acertos tenha sido 35. 

O que é o Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica.

Ao longo de mais de duas décadas de existência, o exame se tornou a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e de iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni).

Instituições de ensino públicas e privadas utilizam o Enem para selecionar estudantes. Os resultados são utilizados como critério de processos seletivos, além de servirem de parâmetro para acesso a auxílios governamentais, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Os resultados individuais do Enem também podem ser aproveitados nos processos seletivos de instituições portuguesas que possuem convênio com o Inep para aceitar as notas do exame.

Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal.

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