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Eleições 2014

Acusações entre candidatos ao governo do Rio marcam 2º debate

Pezão é cobrado sobre ausência de Cabral e Garotinho, sobre material apreendido na Maré

Rio de Janeiro|Jéssica Montes, do R7

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Cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas participaram do segundo debate no Rio de Janeiro
Cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas participaram do segundo debate no Rio de Janeiro

O segundo debate entre o atual governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), o deputado federal Anthony Garotinho (PR), os senadores Lindberg Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB) e o professor Tarcísio Motta (PSOL), todos candidatos ao governo do Rio, foi marcado por momentos de tensão na noite desta terça-feira (2), no teatro Oi Casa Grande, no Leblon, zona sul da cidade. O debate foi promovido pela Rede TV!.

O clima esquentou já no primeiro bloco, em que os candidatos mostraram disposição para atacar os adversários, deixando propostas para um futuro governo em segundo plano. Na rodada inicial de perguntas, aberta por Lindberg Farias, Pezão foi acusado de estar escondendo o passado ligado a Sérgio Cabral e Anthony Garotinho.


Ao se defender, Pezão considerou desnecessário o ataque e lembrou que Lindberg também teria se beneficiado desta aliança.

─ Não escondo minha história. Cheguei até aqui com muito trabalho e dedicação. O senhor [Lindberg], inclusive, teve o apoio destas mesmas pessoas para virar senador. Se elegeu sem conhecer o Estado do Rio e, infelizmente, não conheceu nem sua cidade.


Dando prosseguimento à troca de farpas, Tarcísio Motta questionou Garotinho sobre a apreensão, por fiscais da Justiça Eleitoral, de material de campanha irregular na Maré, zona norte do Rio. Em agosto passado, fiscais do TRE-RJ foram à Maré após receberem denúncia de que um conselho de moradores funcionava como centro social. Na associação, que atende três localidades da Maré, foi encontrado material de campanha de Garotinho, da candidata a deputada federal Clarissa Garotinho (PR) e do candidato a deputado estadual Guiga (PR). Em sua resposta, o candidato do PR aproveitou para alfinetar o governo de Cabral.

— O que o TRE-RJ [Tribunal Regional Eleitoral] encontrou na associação de moradores é antigo. Não sei o que o material estava fazendo lá. O povo da Maré me conhece muito bem, inclusive fizemos o Cheque Cidadão, extinto pelo atual governo. Vamos retomar o programa social e voltar com mais 60, que a gestão discriminatória de Cabral não fez pelo Rio.


Em seguida, o ataque partiu de Tarcísio. O candidato do PSOL usou a seguinte frase: “o mentiroso profissional é aquele que acredita na própria mentira”, se referindo a Garotinho, que partiu para o contra-ataque.

— Quem vê Tarcísio falando acha que seu partido é uma santidade e esquece que a deputada Janira Rocha (PSOL) desviou verba do próprio gabinete. Falar é diferente de governar. Um dia você vai ter esta experiência.


Milícia

O tema segurança pública causou discussão entre os candidatos, em especial o caso das milícias. Pezão foi acusado de ser conivente com os grupos paramilitares e se defendeu dizendo que seu governo foi o que mais combateu milícias, além de afirmar que continuará implantando UPPs. Garotinho também foi alvo dos adversários pelo mesmo motivo. Ao ser questionado sobre a livre circulação de vans, apesar da existente ligação do transporte com milicianos, o candidato defendeu posição a favor.

— Pode ter miliciano dirigindo van? Pode sim. Mas quem é mais nocivo para a sociedade: o miliciano dirigindo van ou um deputado que tem conta no exterior?

Turismo Gay

Crivella foi questionado sobre homofobia e possíveis investimentos em turismo gay, um ponto forte do Estado, gerando arrecadação de impostos. O candidato disse não entender o direcionamento frequente de perguntas deste tema e foi aplaudido.

— Não quero reduzir a questão do turismo, não faço discriminação e respeito as pessoas, assim como suas opções. Só falam comigo sobre homossexualidade e religião, e isso sim é desrespeito.

Considerações finais

Ao fim do debate, Pezão afirmou, novamente, que tem orgulho de sua trajetória.

— Fui prefeito e governador. Quero trazer o mesmo olhar que tive e proporcionar saúde de qualidade, levar educação integral e política de qualidade à população.

Tarcísio Motta optou por fazer um alerta à população contra o que chamou de “catástrofe anunciada”.

— Garotinho ataca Pezão, que ataca Lindberg, que ataca Garotinho e, no final, estão todos certos. Porém, vocês têm a alternativa de evitar uma tragédia no segundo turno.

Garotinho relembrou suas principais propostas para o governo do Rio.

— Vou reduzir o IPVA em 50% e fazer com que as vistorias sejam realizadas de dois em dois anos. Pretendo devolver o Maracanã ao povo, levar metrô para a baixada e construir novos restaurantes populares. A ideia é fazer um novo Estado, sem historinhas e com coisas concretas.

Marcelo Crivella finalizou dizendo que está na hora de enfrentar a atual crise.

— A questão da corrupção política se agrava cada vez mais. Enquanto tivermos campanhas milionárias, não conseguiremos acabar com a crise e esta é minha missão. Tenho consciência do meu compromisso e convicção da lealdade para melhorar a segurança pública. Somente líderes políticos do bem são capazes de liderar tropas. Não tenho do que me envergonhar. Sou ficha limpa como o cidadão fluminense. Chegou a hora de fazer com que a luz banhe o Estado do Rio.

Para finalizar, Lindberg Farias disse que o Rio precisa de renovação no poder.

— O Brasil passou por manifestações e o povo quer uma nova política. É possível construir um novo caminho. Garotinho e Pezão representam retrocesso. Não são apenas opções, mas a continuidade da crise.

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