Candidato no Rio, Crivella defende expansão de UPPs para todos
Ex-ministro da Pesca diz que não pretende receber doações de empreiteiras para a campanha
Rio de Janeiro|Do R7

Candidato do PRB ao governo do Rio de Janeiro, o ex-ministro Marcelo Crivella disse nesta quinta-feira (7) que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) do Estado representam “um dos melhores projetos” do atual governo, mas que “não pode ser apenas para os ricos, e sim para todos”.
Caso seja eleito, o candidato diz que fará a expansão das UPPs junto com a geração de pequenas empresas nas comunidades pacificadas, pois “levando bons negócios, esses garotos envolvidos no narcotráfico podem ter função". O ex-ministro disse que “a população tomou a decisão de não ter o tráfico comandando" a vida dela: “Toda batalha é difícil, mas não podemos hesitar", completou.
Durante sabatina promovida pelo SBT em parceria com o portal Uol e o jornal Folha de S.Paulo, Crivella também prometeu contratar novos policiais, já que segundo afirmou o atual efetivo "está pela metade". Ao falar de seus adversários nas urnas, o ex-ministro da Pesca previu que disputará o segundo turno contra o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), destacando que o ex-governador é o candidato com maior rejeição na corrida pelo Palácio Guanabara.
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Questionado sobre a possibilidade de sua militância religiosa influenciar num possível futuro governo, Crivella disse que “Igreja é uma coisa e política é outra” e que “não há nenhum exemplo de algum discurso meu em favor da minha igreja”.
— Durante muito tempo minha rejeição foi [motivada] exatamente [por] isso. Acontece que, depois de 12 anos de atividade como senador e ministro, as pessoas verificaram que eu separo [a atuação religiosa da política].
Quando perguntado sobre a presença constante de mensagens de cunho religioso em seus perfis nas redes sociais, o candidato do PRB disse que sempre trata de política em seus perfis, mas que “a política está muito chata”. Segundo ele, "o Congresso Nacional muitas vezes não tem nada a ver com a vida das pessoas”.
Sem conluio
O sonho de consumo de Crivella, garantiu o ex-ministro durante a sabatina, “é ganhar essa eleição não tendo alianças e com o menor orçamento”. O candidato do PRB disse que quer fazer “aliança com o povo e com todos partidos, desde que a gente tenha princípios éticos”.
— Eu vou fazer um governo sem guardanapo na cabeça e sem fazer greve de fome. E eu preciso ter legitimidade. Eu acho que a melhor coisa que posso fazer é que os jovens do meu Estado se interessem pela política e vejam que dá para ser governador sem fazer conluio.
Questionado sobre financiamento de campanha, Crivella disse que não pretende aceitar doações de empreiteiras, como o adversário Luiz Fernando Pezão (PMDB), porque assim "o candidato consegue colocar muita placa na rua, mas faz um mau governo", devido aos compromissos a que fica submetido com as empresas.
A ideia de Crivella é seguir o exemplo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que em sua primeira campanha à Casa Branca bancou os custos da eleição com apoio dos próprios eleitores.
— Tenho 24% [de intenções de voto], segundo o Datafolha. São dois milhões de pessoas. Se cada pessoa doasse R$ 1, eu já teria R$ 2 milhões.
Caso seja eleito, o candidato promete “chamar todos para uma grande aliança, mas dentro de um projeto”. Ele diz que “os partidos vão indicar uma secretaria”, mas que ele espera ser um bom nome e que o secretário será demitido se não fizer um trabalho bem feito.
Homossexuais
Durante a sabatina, Crivella refutou as acusações de que teria algo contra os homossexuais.
— Por eu ser evangélico, as pessoas acham que eu sou homofóbico. Não tem povo menos homofóbico do que os evangélicos. Mas os evangélicos querem ter o direito de dizer o que pensam. O pecado é uma coisa da alma de cada um, da crença de cada um.
O ex-ministro destacou que tem homossexuais trabalhando em sua equipe de campanha e no partido há anos. Segundo ele, “essa coisa de dizer que eu sou homofóbico é coisa de adversário político” e “governador do Estado não tem de se meter” com essas questões.
