Pezão defende UPPs ao lado de Crivella, que ataca corrupção na cúpula do governo durante debate no Rio
Os candidatos trocaram acusações sobre irregularidades na campanha e influência de aliados
Rio de Janeiro|Do R7

Os adversários na disputa do segundo turno das eleições para o governo do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB) e Luiz Fernando Pezão (PMDB), trocaram provocações durante o debate da noite desta quinta-feira (10). No evento, promovido pela TV Bandeirantes, ambos os candidatos abordaram a questão da segurança pública como ponto crítico no Estado.
Pezão disse que o governo atual subiu o investimento de R$ 2 bilhões para R$ 9 bilhões e que “libertou” 450 mil moradores de comunidades com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Crivella disse que reconhece a importância destas unidades, mas destaca que muitas UPPs foram erguidas por interesses políticos, sem planejamento. Ele ainda alega que os bandidos matam PMs em áreas pacificadas porque têm a sensação de impunidade, e que irá investir na formação dos policiais.
O candidato do PRB ainda argumentou que não há como combater a corrupção na PM se os políticos da cúpula do Estado não param de se envolver em escândalos, como o caso dos guardanapos na cabeça em Paris.
Em outro momento, Pezão cometeu uma gafe ao fazer uma pergunta a Crivella, chamando o oponente de governador, em vez de senador. O candidato do PRB foi rápido na resposta.
— Sim, já pode me chamar de governador, pode ficar à vontade.
Os adversários não economizaram na troca de provocações durante o debate. De um lado, Crivella citava Pezão como campeão de propagandas irregulares nestas eleições e lembrava escândalos do atual governo. Em resposta, o peemedebista condenava a aliança do oponente com Garotinho e alertava sobre a possível influência do ex-governador em uma eventual gestão de Crivella.
Os dois candidatos também indicaram ter como prioridade a saúde. No começo do debate, ambos foram convidados a responder qual seria seu primeiro ato no governo. Pezão afirmou que pretende transformar a Santa Casa de Misericórdia em um hospital escola, em parceria com uma universidade particular do Rio. Já Crivella disse que vai reorganizar a saúde, já que, segundo ele, há uma fila de 20 mil pessoas que aguardam por cirurgia, sem previsões de realização.
Crivella disse que pretende fazer uma auditoria nas OSs, as Organizações Sociais sem fins lucrativos que promovem a compra de medicamentos e a contratação de funcionários para atuar nos hospitais do Estado. Segundo Crivella, muitas OSs quebram e outras não pagam as obrigações trabalhistas. Pezão indicou que pretende manter as instituições porque, segundo ele, elas fazem com que os pacientes sejam atendidos por bons médicos e permitem que o Rio ocupe o segundo lugar no País em número de transplantes. Veja abaixo outros pontos importantes abordados no encontro.
Baixada Fluminense e interior
Crivella afirmou que o Estado precisa ter mais presença junto aos pequenos produtores agrícolas no interior. Disse também que o cinturão hortifrúti do Estado, entre Teresópolis e Nova Friburgo, está esquecido. O candidato do PRB falou ainda sobre ampliar o pescado no Rio. Já Pezão argumentou que, no governo atual, a produção de leite disparou de 300 milhões para 600 milhões de litros por mês, e que vai ampliar as parceiras com agricultor e pecuarista.
Quando o assunto foi a Baixada Fluminense, Pezão afirmou que o recém-inaugurado Arco Metropolitano vai trazer indústrias para a região e vai permitir que a população more e trabalhe lá, em vez de ter que se deslocar para o Rio. Crivella afirmou que o Arco foi criado sem planejamento e que as construções tendem a surgir de maneira desordenada às margens.
Transporte
Crivella criticou o fato de Pezão dar grandes subsídios às empresas de ônibus. Segundo ele, esse é um dos motivos para a inflação no Rio de Janeiro ser a maior do Brasil hoje. Pezão afirmou que não concentrou foco apenas nos ônibus, mas fez investimentos também nos trens, barcas e metrô. O atual governador citou o bilhete único como uma referência no Brasil.
Ainda sobre transportes, Pezão afirmou que irá reformar 19 estações de trem e renovar toda a frota. Crivella retrucou, dizendo que não adianta o governador ficar prometendo, quando deveria falar sobre o que deixou de fazer. O candidato do PRB disse ainda que a linha férrea precisa de mergulhões e elevados, para acabar com as passagens de nível, que atrasam as viagens e ainda geram perigo à população.
Educação
Segundo Marcelo Crivella, os professores no Estado estão desmotivados, ganham pouco e precisam trabalhar em várias escolas, tendo que enfrentar engarrafamentos no deslocamento. Ele alegou ainda que o atual governo nunca se preocupou em debater um plano de carreira justo. Afirmou que faltou diálogo com os professores e houve até violência contra os profissionais. Já Pezão se defendeu e afirmou que o salário da categoria é o segundo mais alto do Brasil, atrás apenas do Distrito Federal. Ele ainda mencionou que o Estado saiu do 26º lugar no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) para o 4º.
Troca de acusações
O debate esquentou quase no fim, quando Crivella mencionou que Pezão foi o campeão de multas nestas eleições por propagandas antecipadas ou irregulares, enquanto ele, Crivella , faz uma campanha modesta financeiramente e sem nenhuma infração. Pezão disse que a campanha do adversário não pode ser considerada modesta, porque conta com os recursos da igreja.
O atual governador provocou Crivella perguntando quem seria o responsável por comandar os programas sociais na eventual gestão dele, se o aliado Garotinho ou a igreja. Crivella respondeu:
—O Garotinho foi quem trouxe você [Pezão] para a capital, te ajudou. Não é por aí que você vai ganhar [as Eleições] não. Em 12 anos de vida pública, nunca misturei política e religião. Os meus aliados foram seus companheiros e você hoje os trai.
Já Pezão se defendeu das acusações das propagandas irregulares.
— Sempre obedeci à legislação eleitoral em 32 anos de vida pública. A PRE [Procuradoria Regional Eleitoral] tem o direito de acusar. Mas nunca foi provado nada. Sempre recorri e venci. Triste é o senhor falar que a sua campanha que não tem recursos.
Nas considerações finais, Crivella afirmou que não pretende promover guerra religiosa nas duas semanas que faltam para as eleições. E argumentou que o Rio precisa de uma mudança urgente, já que o partido de Pezão está no cargo há muito tempo. Pezão afirmou que pretende continuar libertando o povo das comunidades do domínio dos traficantes e que quer realizar outros “sonhos inimagináveis”, como o Arco Metropolitano.
