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Eleições 2016

“Aumento do número de vereadoras é simbólico, mas tem limitações”, diz feminista eleita em SP

Para Sâmia Bomfim, parlamentares conservadoras tem pouco impacto na luta por direitos

São Paulo|Érica Saboya, do R7

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Sâmia atribui aumento de vereadoras ao movimento feminista
Sâmia atribui aumento de vereadoras ao movimento feminista

A partir do ano que vem, a Câmara de São Paulo vai ter o dobro de vereadoras do que tem atualmente. Nas eleições de domingo (2), os paulistanos elegeram 11 mulheres para o cargo, contra cinco eleitas em 2012. Sobre o crescimento, o R7 falou com a vereadora eleita pelo PSOL, Sâmia Bomfim.

Militante feminista, Sâmia diz estar feliz com o aumento da representatividade das mulheres no legislativo municipal — movimento que se repetiu em outras capitais brasileiras — mas vê com cautela os números. Ela também falou sobre propostas para seu mandato e sobre a expectativa de enfrentar machismo dentro da Câmara.


Leia os principais trechos da entrevista:

R7: A que você atribui o crescimento de mulheres eleitas para as câmaras municipais nas eleições deste ano?


Sâmia Bomfim: Eu acho que a gente está em um momento de crescimento do movimento feminista. Isso é perceptível tanto no número de discussões nas escolas e universidades quanto nas inúmeras campanhas que foram feitas nas redes sociais — contra violência, machismo, assédio no transporte público, entre outras. Mas, principalmente, nas mobilizações de rua. No ano passado, tivemos os atos contra o PL 5069, contra o Cunha e, neste ano, contra a cultura do estupro depois que uma jovem foi vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro.

Também atribuo à falência do modelo de representação política atual. Uma das principais características da falência era justamente o fato de não terem mulheres em cargos eletivos. Isso ficou claro na sessão do impeachment (de Dilma Rousseff), que mostrou uma postura machista dos deputados. Isso era muito incompatível com a demanda que as mulheres apresentavam nas ruas.


R7: Que impacto esse crescimento da representatividade feminina pode ter na atividade política?

SB: Eu acho positivo, mas há limitações. Muitas das outras mulheres eleitas em São Paulo são conservadoras, de partidos de direita, inclusive inimigas do movimento feminista. É positivo do ponto de vista simbólico, permite que as mulheres percebam que podem ocupar os espaços que lhes foram negados ao longo da história. Podem ocupar o espaço político, assim como os homens. Mas acho que traz poucas melhorias para a vida das mulheres se as vereadoras eleitas não forem aliadas ao movimento feminista.


R7: Quais pautas você pretende propor como vereadora?

SB: Falamos bastante do tema da violência contra a mulher durante a campanha, um dos problemas mais graves que enfrentamos. Discutimos a necessidade de um fundo de investimento para políticas públicas de combate à violência contra mulher. O próprio tema da iluminação das ruas e calçadas é muito importante. Ou a criação de emprego e renda para que as mulheres chefiem cooperativas, por exemplo, e possam se empoderar economicamente para se libertarem das condições de violência em que vivem.

R7: Você acha que vai enfrentar machismo durante sua atuação na Câmara?

SB: Tenho quase certeza que sim, infelizmente. A Câmara é muito machista, tem muitos setores conservadores e fundamentalistas. Eles são o completo oposto do que eu defendo. É preciso estar em conexão com as ruas para se opor a essas posturas machistas.

R7: Você acredita que a participação das mulheres na política brasileira tende a crescer ainda mais nas próximas eleições?

SB: Eu acredito que seja um movimento ascendente, que tende a avançar. Outra coisa que a gente discutiu durante a campanha foi a obrigatoriedade de que 30 ou 40% das câmaras municipais sejam ocupadas por mulheres. Claro que teria que mexer no sistema eleitoral para que isso se concretizasse, mas é uma discussão que tem que ser feita.

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