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Eleições 2016

Mesmo com bairros pobres, área nobre fica de lado de campanhas em SP

R7 mapeou os 232 compromissos de quatro candidatos à prefeitura desde o dia 16 agosto

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Casas irregulares em área de conjunto habitacional no Jaguaré
Casas irregulares em área de conjunto habitacional no Jaguaré

A corrida eleitoral antes do primeiro turno chegou ao fim neste sábado (1º) e o R7 mapeou todas as agendas divulgadas pelos quatro candidatos à Prefeitura de São Paulo mais bem posicionados nas pesquisas desde o início da campanha, no dia 16 de agosto. De lá para cá, somados, eles tiveram 232 compromissos, a grande maioria no centro, zona sul e zona leste. A zona oeste, região com maior concentração de renda da capital, foi a menos visitada.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 42% dos domicílios da zona oeste (subprefeituras do Butantã, Lapa e Pinheiros, com pouco mais de 1 milhão de habitantes) têm renda mensal superior a dez salários mínimos (R$ 8.800). Menos de 10% das agendas de campanha de Celso Russomanno (PRB), Fernando Haddad (PT), João Doria (PSDB) e de Marta Suplicy (PMDB) ocorreram nessa região.


Os compromissos incluíram visitas à Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) e caminhadas por alguns bairros, incluindo áreas nobres como Pinheiros e Jardins, no caso de Doria. Marta Suplicy só esteve na região em duas ocasiões, na Lapa.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada no último dia 27, em bairros mais ricos da zona oeste, como Alto de Pinheiros, Jardim Paulista, Itaim Bibi, Morumbi, Perdizes e Pinheiros, João Doria tem 53% das intenções de voto, Fernando Haddad aparece com 12%, seguido de Celso Russomanno, com 11%, e de Marta Suplicy, com 7%.


Já na parte mais pobre da região, que inclui Rio Pequeno e Raposo Tavares, Doria tem 28%; Russomanno, 33%; Haddad, 8%; e Marta, 7%.

Apesar da alta concentração de renda, a zona oeste tem problemas como todas as outras. Quatro em cada dez famílias que vivem no Rio Pequeno e no Raposo Tavares recebem menos de R$ 1.760 por mês, segundo o IBGE. Em toda a região, o percentual de domicílios com renda mensal inferior a dois salários mínimos é de 16%.


De acordo com as agendas divulgadas pelas campanhas, dos quatro candidatos, apenas dois deles estiveram mais pobres da zona oeste.

Russomanno esteve no dia 4 de setembro na Vila Alba, onde visitou uma feira livre e fez caminhada. Haddad fez corpo a corpo em três ocasiões. Foi a um encontro no Butantã, no dia 19 de agosto; no dia 15 de setembro, ele esteve no Jardim Jaqueline, em um evento com catadores; e três dias depois, caminhou por ruas do Jaguaré.


Os desafios do futuro prefeito nas áreas de educação, saneamento básico, saúde e mobilidade se destacam ainda mais em alguns pontos da zona oeste, como a favela Vila Nova Jaguaré, onde moram cerca de 10 mil pessoas. Além dessa, a região tem outras 17 favelas.

Centro

A área da Subprefeitura da Sé (Bela Vista, Consolação, República, Anhangabaú, Santa Cecília, Liberdade) foi onde os candidatos mais tiveram compromissos de campanha: 30%. Apesar disso, a maior parte das agendas foi em eventos fechados.

A região central é a menos habitada (pouco mais de 430 mil pessoas), porém recebe um grande fluxo de trabalhadores. Haddad fez um grande ato na sexta-feira (30), no Pátio do Colégio. Russomanno, Marta e Doria fizeram corpo a corpo em setembro em Santa Ifigênia e na Sé.

Ocupações em áreas de mananciais na zona sul da capital
Ocupações em áreas de mananciais na zona sul da capital

Zona sul

Depois do centro, a zona sul foi a região mais visitada pelos candidatos. Dos 230 compromissos mapeados pela reportagem, 57 foram na zona sul (25%). As visitas incluem, no caso de Marta e Haddad, corpo a corpo nos bairros mais extremos, como Parelheiros e Vargem Grande.

Russomanno esteve, por exemplo, no Parque Cocaia, bairro às margens da represa Billings que sofre com a falta de infraestrutura e serviços básicos. Marta e Haddad também estiveram lá perto, no Cantinho do Céu, que recebeu requalificação urbana por meio do Programa Mananciais, expandido na gestão da ex-prefeita (2001 a 2004) e nas subsequentes.

No distrito do Grajaú, onde ficam esses dois bairros, 42% dos domicílios vivem com renda mensal de até dois salários mínimos, de acordo com o IBGE. Em toda a zona sul, três em cada dez residências têm renda mensal de até R$ R$ 1.760.

Um dos principais desafios do novo prefeito está a retirada de famílias que residem em áreas de mananciais das represas Billings e Guarapiranga. Em alguns bairros, muitas obras previstas pela atual gestão sequer começaram.

Jardim Iguatemi, na zona leste, após inundação no começo do ano
Jardim Iguatemi, na zona leste, após inundação no começo do ano

Zona leste

A zona leste é o lar de quase 4 milhões de paulistanos e recebeu atenção especial dos candidatos na corrida eleitoral. Dois em cada dez compromissos aconteceram em bairros da região, incluindo muito corpo a corpo e carreatas.

Assim como na zona sul, a quantidade de famílias que vivem com renda mensal de até dois salários mínimos é próxima de 30%. Ao contrário da zona oeste, apenas 9,1% dos domicílios têm mais de dez salários mínimos por mês. A região é predominantemente de classe média — 57% das famílias ganham entre R$ 1.760 e R$ 8.800.

Assunto muito discutido ao longo da campanha está a geração de empregos na zona leste, uma das soluções para o problema da mobilidade. Milhões de pessoas se deslocam todos os dias rumo ao centro e chegam a gastar mais de quatro horas por dia no transporte público.

Candidatos buscam votos em antigo reduto petista

Além disso, entre os desafios do próximo prefeito está a qualificação profissional nessa região, onde 90% da população têm emprego de baixa qualidade, segundo a Rede Nossa São Paulo.

A zona leste possui bairros valorizados, como Tatuapé e Carrão, visitados por Marta e Doria. No Tatuapé, por exemplo, 40% dos domicílios têm renda mensal superior a R$ 8.800.

Por outro lado, em bairros como Itaim Paulista e São Miguel Paulista, visitados pelos quatro candidatos, a renda familiar de cerca de 40% dos moradores não ultrapassa dois salários mínimos.

No verão, a zona leste é castigada com inundações. O próprio prefeito Haddad admitiu que não conseguiu fazer todas as obras de combate a enchentes que gostaria de ter feito, devido à falta de recursos federais do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). 

Zona norte

Os bairros da zona norte representaram 14% das agendas dos quatro candidatos no período de campanha. Proporcionalmente, Marta foi a que mais visitou a região.

Em quase toda as ocasiões, a candidata do PMDB fez corpo a corpo com eleitores em bairros como Jaçanã, Vila Nova Cachoeirinha, Jardim Peri, Taipas e Perus. Este último também visitado por Haddad e Russomanno. Doria esteve no Morro Doce, no Jardim Guapira e na Vila Mangalot. Russomanno fez carreata na Freguesia do Ó, corpo a corpo na Vila Nova Cachoeirinha, em Santana e no Limão.

Pouco mais de 27% das famílias da zona norte vivem com renda de até dois salários mínimos. A maioria dos bairros visitados pelos candidatos têm grandes desafios. Bairros populosos, como Brasilândia, ainda dependem exclusivamente do serviço de ônibus. A falta de infraestrutura também afeta boa parte dos moradores.

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