Eleições 2020 Conheça os grandes desafios de Covas no novo mandato em SP

Conheça os grandes desafios de Covas no novo mandato em SP

Geração de empregos, mobilidade urbana, enchentes e volta às aulas na pandemia seãro prioridades do prefeito, avaliam especialistas

Drama do desemprego será grande desafio do prefeito de SP

Drama do desemprego será grande desafio do prefeito de SP

Mathilde Missioneiro (F)/Folhapress - 12.10.2020

Diante de tantos desafios que uma megalópole como São Paulo apresenta a um administrador público, a superação da crise econômica no período pós-pandemia é destacada por cientistas políticos como a principal missão do prefeito eleito neste 2º turno das eleições, realizado no domingo (29).

Entretanto, a nova gestão de Bruno Covas (PSDB), reeleito para o mandato entre 1º de janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2024, também enfrentará sérios problemas estruturais e que demandam ações nas áreas de habitação, saneamento básico, saúde, zeladoria e transporte público, além dos tradicionais gargalos paulistanos, casos do trânsito e das enchentes.

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O professor da Universidade Mackenzie Roberto Gondo entende que, no primeiro ano do novo mandato, o prefeito precisa trabalhar na criação de políticas públicas que garantam boas condições de moradia, saúde e conforto da população, mas especialmente para gerar empregos, o que melhoraria também os índices de desenvolvimento econômico regional.

Bruno Covas (PSDB)

Bruno Covas (PSDB)

MISTER SHADOW / ASI / ESTADÃO CONTEÚDO - 29.11.2020

"O grande desafio para essa próxima prefeitura é tentar desenvolver regionalmente empregabilidade, processo de desenvolvimento de renda das pessoas, inclusive para que elas não precisem tanto se locomover por tantas horas no trânsito, por tantas horas nos transportes públicos, ocasionando um gargalo no sistema", explicou o cientista político.

Além do problema dos grandes congestionamentos na cidade e da busca por projetos para remodelar a mobilidade urbana em São Paulo, outro tema sensível para o paulistano e que vai exigir atenção do prefeito — provavelmente já nos primeiros dias à frente da cidade, em razão da temporada de chuvas — são as enchentes. 

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"Aí entra infraestrutura. É você fazer piscinões, completar [outros já iniciados]. Várias obras foram feitas nos últimos anos que amenizaram isso. Mas São Paulo é uma região cosmopolita e sempre tem algo que necessita ser realizado. Sempre tem um desafio para o prefeito, que nunca consegue agradar todas as regiões", completou Roberto Gondo.

O doutor em sociologia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e professor da Universidade Mackenzie, Rogério Baptistini afirma que o ideal é que prefeito atue como uma liderança política para unir os paulistanos na recuperação da confiança na geração de soluções para os problemas comuns.

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"O prefeito eleito terá de trabalhar para recuperar o dinamismo da cidade, produzir saídas para o desemprego, a falta de moradia e a desesperança que afligem os mais humildes, sobretudo. Para isso, terá de estar disposto ao diálogo e saber conduzir", pontuou o cientista político.

Relações com a Câmara Municipal

Rogério Baptistini lembra que nenhum prefeito governa sem o apoio da Câmara Municipal. Isso significa ter uma base segura para aprovar projetos e votar o orçamento conforme o interesse do Poder Executivo. Nesse aspecto, Bruno Covas não deverá enfrentar dificuldades durante o próximo mandato.

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Segundo ele, o tucano conta com um arco de alianças maior, construído já como prefeito e graças à condição do PSDB no comando do estado — com o governador João Doria. Além disso, as propostas que apresenta estão aparentemente mais alinhadas ao pensamento médio, o que gera menos tensão social e política para serem implementadas.

Por outro lado, tais atributos não são garantias de boas relações entre Covas e o Poder Legislativo paulistano. Será preciso negociar com a Casa, avalia Rogério Baptistini.

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"A experiência na administração pública, um partido alinhado com o governo estadual e a maioria na Câmara ajudam, mas sem liderança e projeto voltado ao bem comum não significam grande coisa", alerta o professor.

Já Roberto Gondo vê a Câmara de Vereadores predominantemente favorável a Bruno Covas. "Vai ter um favorecimento maior de governabilidade, isso foi construído ao longo dos últimos anos. Boulos teria que lidar com desafios de não ter a maioria. Teria que negociar muito, criar políticas públicas aderentes também aos partidos de centro e centro direita", ponderou.

Projetos empacados

Roberto Gondo lembrou ainda que o prefeito eleito Bruno Covas terá que atuar para desemperrar alguns projetos polêmicos, mas que são fundamentais para a vida da população. Entre esses temas espinhosos, está a licitação dos ônibus.

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"Isso é real. Não só uma licitação, mas um realinhamento das licitações, que é uma grande polêmica em uma cidade como São Paulo, ainda com relação ao seu orçamento. Algumas privatizações da cidade, isso também alinhado ao próprio contexto do estado, uma política pública que o Doria também está desenvolvendo e que, em 2021, provavelmente vai ser retomado até com uma justificativa de tentar retomar caixa de governabilidade".

Para o cientista político, são projetos que provavelmente andem com mais facilidade na política do Bruno Covas. "A política do Boulos certamente seria no aspecto de privatização, pois há proposta até ousada do PSol de fazer uma reorganização, um realinhamento do processo licitatório de ônibus da cidade", disse Gondo.

Volta às aulas

Além das questões que naturalmente geram cobranças da população em relação ao trabalho do gestor municipal em saúde e emprego, a pandemia do novo coronavírus também alterou o calendário escolar da cidade. Pais e alunos estão aflitos quanto ao retorno das aulsa no próximo ano.

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No entanto, o cientista político Roberto Gondo acredita que o tema, apesar de relevante, será amenizado em razão da proximidade da chegada de vacinas que imunizem a população contra o vírus da covid-19.

"Pela lógica, [as aulas] serão retomadas em fevereiro. Entre fevereiro e maio, talvez junho, já vamos ter políticas de imunização do governo do estado. Do governo federal também. Então, serão poucos meses com o tema de reabertura ou realocação das aulas presenciais. Tão longe, tão perto. Continua sendo um desafio, mas um desafio em menor proporção do que aconteceu em setembro e outubro, que virou até pauta política", finalizou o professor Roberto Gondo.

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