Eleições 2020 TSE afirma que falha na apuração não se repetirá no 2º turno

TSE afirma que falha na apuração não se repetirá no 2º turno

Justiça eleitoral detalha problema em recurso de inteligência artificial da Oracle e diz que toda equipe está focada para evitar erro semelhante

Divulgação dos resultados atrasou em cerca de 2h30

Divulgação dos resultados atrasou em cerca de 2h30

Marcelo Camargo/Agência Brasil - 15.11.2020

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirmou nesta terça-feira (17), em nota, que a falha técnica responsável pelo atraso de 2h30 na divulgação dos resultados do primeiro turno das Eleições 2020 "não se repetirá" no segundo turno.

"Até o dia 29 de novembro, toda a equipe está focada na definição de providências para evitar incidente semelhante na apuração e totalização dos resultados do segundo turno", afirma o documento.

O órgão justifica que o atraso foi causado pela falha em um recurso de inteligência artificial existente em um otimizador da empresa de tecnologia Oracle, que oferece sistemas de gerenciadores de banco de dados. O sistema foi alterado por recomendação da PF (Polícia Federal).

A nota explica ainda que, até 2018, os votos eram totalizados em cada um dos Estados e encaminhados ao TSE, a quem cabia apenas totalizar e divulgar os resultados no caso das eleições presidenciais.

Leia mais: Problema em processador provocou atraso, afirma Barroso

A Justiça Eleitoral ressalta que o banco de dados da Oracle é utilizado por todos os 27 TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) há mais de uma década e a empresa sempre foi a única contratada nas votações eletrônicas, iniciadas em 1996. De acordo com o TSE, a empresa foi afetada neste ano pela pandemia do novo coronavírus e entregou o equipamento com cerca de um mês de atraso. 

Incidentes

O TSE explica que a Oracle disponibiliza ao TSE um servidor principal formado por oito núcleos e, durante a totalização dos votos no último domingo "observou-se o desligamento de um dos oito nós de processamento do servidor principal", diz a nota.

"Esse incidente no componente de hardware ocorreu de forma simultânea à verificação na lentidão na totalização dos resultados, o que levou a equipe da Tecnologia da Informação do TSE a considerá-lo como possível causa para a demora", relata.

No entanto, constatou-se que a falha não teve relação direta com a demora da totalização, porque o equipamento se manteve capaz de "redistribuir de forma  automática a carga para os demais nós de processamento sem impacto no desempenho e disponibilidade". 

Após o restabelecimento do núcleo, verificou-se quea lentidão da apuração prosseguia. Foi quando ocorreu a identificação de que a falha era originada no recurso de inteligência artificial presente no banco de dados da Oracle, responsável pelo processamento veloz dos votos.

"O equipamento não deu conta de, simultaneamente e com a rapidez necessária, aprender um novo plano de execução adequado para o processamento do grande volume de dados e realizar a totalização com a celeridade esperada", observa o documento.

O TSE também admite que a falha "poderia ter sido evitada com a realização de testes para calibrar o otimizador" e revela que novos planos de execução "foram gerados ao longo da totalização, mas se mostraram ineficientes diante do crescimento do volume de dados".

Para solucionar o problema, o sistema de totalização foi temporariamente paralisado. Agora, a Oracle garante que o otimizador "já está calibrado para processar um volume maior de informações de forma célere".

Últimas