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Em ano eleitoral, governo aposta em ‘pacote de bondades’ para trabalhadores

Especialistas entendem medida como forma de tentar diminuir o impacto das decisões negativas

2026|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O governo Lula intensifica medidas para a classe trabalhadora em ano eleitoral, conhecido como 'pacote de bondades'.
  • Propostas incluem revisão da escala de trabalho e liberação de até R$ 17 bilhões do FGTS para trabalhadores endividados.
  • Especialistas afirmam que o sucesso depende de resultados concretos antes das eleições, não apenas promessas.
  • O pacote pode melhorar a imagem do governo, mas também corre o risco de ser visto como uma estratégia meramente eleitoral.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Governo discute revisão de medidas impopulares, como a "taxa das blusinhas" Joédson Alves/Agência Brasil

Com a aproximação das eleições de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem intensificado a aposta em medidas voltadas à classe trabalhadora e à população de baixa e média renda, em uma estratégia vista como um “pacote de bondades” para tentar ampliar a popularidade da gestão antes do pleito.

Entre as iniciativas colocadas em discussão pelo Palácio do Planalto estão propostas de apelo popular, como o avanço do debate sobre mudanças na escala de trabalho 6x1 e a liberação de até R$ 17 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para ajudar trabalhadores endividados. Também se discute a possibilidade de revisar medidas econômicas que enfrentam forte rejeição popular, como a chamada “taxa das blusinhas” — imposto sobre compras internacionais de até US$ 50.


Para especialistas, o movimento segue uma lógica comum em períodos pré-eleitorais. Segundo o advogado especialista em direito contratual e tributário Danniel Fernandes, decisões que trazem benefícios concretos à rotina da população podem influenciar diretamente o humor do eleitorado.

“Existem essas propostas que melhoram a rotina do trabalhador e costumam ter boa aceitação. Mas existe um detalhe que também é importante: o eleitor costuma esperar o resultado concreto para tomar essa decisão do voto. Ou seja, não basta prometer, tem que ter um avanço real. Se a medida realmente acontecer ou estiver próxima de acontecer, ela pode melhorar a avaliação do governo”, afirmou.


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Propostas em análise

A movimentação ocorre no momento em que o governo tenta neutralizar desgastes provocados por medidas econômicas mal recebidas pela população. Pesquisa divulgada em março pela Atlas Intel, por exemplo, apontou que, para 62% dos brasileiros, a “taxa das blusinhas” foi o maior erro do governo Lula.

Atualmente, compras internacionais de pequeno valor são taxadas com imposto de importação de 20%, além da incidência do ICMS estadual, de 17%.


Outra frente explorada pelo governo é a discussão sobre o fim da escala tradicional de seis dias de trabalho para um de descanso. A proposta abriria espaço para modelos como 5x2 e 4x3, formatos já debatidos ou testados em outros países.

Nos últimos dias, Lula prometeu que vai enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei em caráter de urgência para tentar acelerar a discussão do assunto.


“A ideia é a redução da jornada sem redução do salário. O que significa um pequeno aumento de ganho de produtividade. Em vez de ter prejuízo, ele vai continuar com o mesmo salário, porque a diferença é produtividade. A tecnologia permitiu que produzisse mais, portanto o trabalhador ganha um pouco mais”, afirmou o presidente durante entrevista.

Além disso, segundo apurou a RECORD, o governo prepara duas medidas provisórias. A primeira iniciativa prevê a liberação de aproximadamente R$ 7 bilhões que permanecem retidos nas contas de trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. A segunda ação para liberar entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões do FGTS para trabalhadores endividados quitarem débitos de cartão de crédito.

Resistência política e econômica

Apesar do apelo popular pelo fim da escala 6x1, especialistas ponderam que a medida ainda enfrenta resistências políticas e econômicas e depende de amplo debate sobre seus impactos para empresas e trabalhadores.

O cientista político Magno Karl afirma que o sucesso eleitoral da estratégia dependerá não apenas do anúncio das medidas, mas da capacidade do governo de transformá-las em resultados concretos antes do pleito.

“A estratégia de compensar erros de gestão com sinalizações redistributivas é antiga na política brasileira, mas nem sempre funciona. A escala 6x1 tem apelo emocional relevante, especialmente junto ao eleitorado de base do PT, mas não resolve o problema da maioria dos brasileiros — que hoje se encontra trabalhando no mercado informal —, nem da baixa credibilidade econômica que a taxação das blusinhas e outras medidas recentes criaram. São públicos e lógicas diferentes”, avaliou.

Para ele, embora o pacote tenha potencial de melhorar a imagem do governo, também pode gerar efeito contrário caso seja interpretado como uma tentativa meramente eleitoral.

“O pacote de bondade é uma tentativa de buscar popularidade para um governo que se aproxima do seu fim com poucas marcas próprias, mas, a depender de como esse pacote será explicado à população, ele pode acabar reforçando a percepção que o governo quer combater: a de um governo que retira com uma mão e distribui com a outra”, concluiu.

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