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Bebeu e acordou mal? Entenda o que é a ressaca e o que ajuda na recuperação

Entenda o que o álcool faz no corpo e como aliviar os sintomas

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Cérebro e fígado continuam trabalhando após o álcool. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A festa acabou, o copo está vazio, mas o corpo parece entrar em greve. Dor de cabeça persistente, enjoo, sede constante, irritação sem motivo claro e aquela sensação de que o dia seguinte ficou mais pesado do que deveria. A ressaca costuma surgir justamente quando o álcool já não está mais circulando no sangue, o que leva muita gente a se perguntar por que o mal-estar aparece depois, e não durante a bebedeira.

A ciência mostra que o álcool não vai embora sozinho. Mesmo após a eliminação da substância, o corpo continua reagindo aos seus efeitos metabólicos, inflamatórios e neurológicos, num processo que pode durar muitas horas.


O corpo ainda está lidando com os danos

Quando o álcool é ingerido, ele é rapidamente convertido no fígado em acetaldeído, um composto tóxico que provoca estresse celular e ativa respostas inflamatórias. Embora essa etapa metabólica seja relativamente rápida, os efeitos não se encerram ali. O organismo entra em um estado de desequilíbrio interno que afeta líquidos, hormônios e sistemas de defesa.


Uma revisão publicada em 2026, na revista científica Drug and Alcohol Review, mostrou que a ressaca se manifesta justamente quando o organismo tenta restabelecer o equilíbrio perdido, mesmo sem álcool detectável no sangue. O estudo aponta que o corpo continua reagindo como se estivesse sob ameaça, mantendo sinais inflamatórios ativos por mais tempo do que se imagina.

Desidratação explica parte, mas não tudo


O álcool inibe o hormônio antidiurético, aumentando a perda de líquidos e minerais. Isso favorece sede intensa, dor de cabeça, tontura e fraqueza. No entanto, os pesquisadores destacam que a desidratação sozinha não explica a intensidade da ressaca.

O artigo A Systematic Review of the Impact of the Alcohol Hangover Upon Negative Affect (DOI: 10.1111/dar.70052) chama atenção para o fato de que muitos sintomas persistem mesmo após a reidratação, indicando que outros mecanismos seguem ativos no organismo.


O cérebro também entra em ressaca

O impacto do álcool no sistema nervoso é um dos pontos centrais da explicação. Alterações temporárias em neurotransmissores ligados ao humor, ao sono e à percepção da dor ajudam a entender por que a ressaca não é apenas física, mas também emocional e cognitiva.

O autor principal do estudo, Rothman, descreve que estados de humor negativo, como irritabilidade, ansiedade e sensação de estresse, são frequentes durante a ressaca e não dependem apenas da quantidade de álcool ingerida. Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas acordam mais sensíveis à luz, ao barulho e até às interações sociais no dia seguinte.

Por que algumas ressacas são piores que outras?

A intensidade da ressaca varia bastante entre indivíduos. Fatores genéticos influenciam a velocidade com que o álcool é metabolizado e a forma como o cérebro reage às alterações químicas provocadas pela bebida. Além disso, beber em jejum, dormir mal e consumir bebidas ricas em congêneres aumenta a chance de sintomas mais intensos.

O estudo publicado em janeiro de 2026 reforça que não existe uma “ressaca padrão”. Cada organismo responde de forma diferente ao estresse biológico imposto pelo álcool.

O que realmente ajuda na recuperação

Hidratar-se continua sendo essencial, especialmente com líquidos que ajudam a repor eletrólitos perdidos. Alimentação leve, rica em nutrientes, contribui para estabilizar a glicemia e reduzir a fadiga. Já fórmulas milagrosas, chás anti-ressaca e automedicação não aceleram a recuperação do organismo.

Segundo os dados analisados na revisão científica, a ressaca é multifatorial e não pode ser neutralizada por uma única substância. O corpo precisa de tempo para desligar os processos inflamatórios ativados pelo álcool.

No fim das contas, a ciência deixa claro que a ressaca não é sinal de fraqueza, mas de um organismo trabalhando intensamente para se reorganizar depois de uma sobrecarga química.

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