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Novo sensor ultrarrápido detecta luz em 125 picossegundos e amplia limites da nanotecnologia

Novo sensor baseado em nanotecnologia capta luz em velocidades recordes e pode transformar sistemas de imagem científica

Fala Ciência|Do R7

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Sensor ultrafino detecta luz em apenas 125 picossegundos (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT) Fala Ciência

Detectar luz em frações extremamente pequenas de tempo sempre foi um desafio para a engenharia. Agora, pesquisadores desenvolveram um fotodetector ultrafino capaz de registrar sinais luminosos em apenas 125 picossegundos, um tempo equivalente a trilionésimos de segundo. O avanço representa um novo recorde para detectores piroelétricos, dispositivos que identificam luz a partir do calor gerado pela sua absorção.

O sensor foi desenvolvido por engenheiros da Universidade Duke e descrito na revista científica Advanced Functional Materials. A tecnologia não apenas é extremamente rápida, mas também consegue detectar luz em todo o espectro eletromagnético, incluindo comprimentos de onda invisíveis ao olho humano.

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Na prática, isso pode abrir caminho para novas gerações de câmeras multiespectrais, capazes de revelar informações invisíveis em ambientes naturais, organismos vivos e até no espaço. Entre as possíveis aplicações futuras estão:

  • Diagnóstico médico, incluindo detecção precoce de câncer de pele;
  • Monitoramento agrícola, identificando necessidades de água ou nutrientes;
  • Sensoriamento remoto por satélites e drones;
  • Segurança alimentar e inspeção industrial.

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Essas possibilidades surgem porque o dispositivo consegue captar múltiplos comprimentos de onda da luz com rapidez incomum.

O limite dos sensores tradicionais de luz

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Grande parte das câmeras digitais atuais utiliza fotodetectores semicondutores, que geram corrente elétrica quando atingidos por luz visível. Embora eficientes para imagens convencionais, esses sensores possuem uma limitação importante: só funcionam bem em uma pequena faixa do espectro eletromagnético.

Para captar radiações fora desse intervalo, como infravermelho ou terahertz, os cientistas recorrem a detectores térmicos ou piroelétricos. Esses dispositivos convertem o aquecimento provocado pela luz em sinal elétrico.

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No entanto, há um problema clássico: materiais capazes de absorver bem essas radiações costumam ser espessos ou pouco responsivos, o que torna os sensores maiores e mais lentos.

Nanotecnologia que aprisiona a luz

A nova solução utiliza uma estrutura conhecida como meta-superfície, construída com precisão nanométrica. O sistema inclui:

  • Nanocubos de prata cuidadosamente posicionados;
  • Uma camada transparente extremamente fina;
  • Uma película de ouro localizada poucos nanômetros abaixo.

Quando a luz atinge os nanocubos, ocorre um fenômeno chamado plasmônica, no qual elétrons do metal entram em oscilação. Esse processo permite capturar e concentrar energia luminosa com grande eficiência.

Graças a esse mecanismo, apenas uma camada muito fina de material piroelétrico já é suficiente para produzir um sinal elétrico detectável. O resultado é um dispositivo extremamente compacto e muito mais rápido do que sensores térmicos tradicionais.

Testes indicaram que o detector pode operar em frequências de até 2,8 GHz, gerando resposta elétrica praticamente instantânea após a chegada da luz.

Um salto para as câmeras do futuro

Outro diferencial do sensor é que ele funciona em temperatura ambiente e não precisa de fonte externa de energia, o que facilita sua integração em sistemas eletrônicos compactos. No futuro, versões aprimoradas da tecnologia poderão incluir múltiplas meta-superfícies, permitindo detectar simultaneamente diferentes frequências e polarizações da luz.

Isso ampliaria significativamente as capacidades de sensoriamento multiespectral.Se os desafios de fabricação em larga escala forem superados, a inovação poderá impulsionar uma nova geração de instrumentos científicos, câmeras médicas e sensores espaciais, capazes de observar o mundo com precisão sem precedentes.

Escrito por Leandro C. Sinis, Biólogo (UFRJ) para o Fala Ciência.

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