Dois planetas bebês são vistos se formando ao redor de estrela jovem
Descoberta inédita mostra dois planetas em formação e ajuda a entender a origem do nosso Sistema Solar
Fala Ciência|Do R7

A ciência acaba de dar um passo impressionante ao registrar, com alta precisão, a formação simultânea de dois planetas jovens ao redor de uma estrela semelhante ao Sol. O sistema, conhecido como WISPIT 2, está localizado a cerca de 437 anos-luz da Terra e possui apenas 5 milhões de anos, um verdadeiro “bebê” em termos astronômicos.
Essa descoberta, detalhada no periódico The Astrophysical Journal Letters por Chloe Lawlor e colaboradores, representa uma oportunidade única de observar como sistemas planetários surgem e evoluem. Além disso, ela reforça a ideia de que estamos cada vez mais próximos de entender a origem do nosso próprio Sistema Solar. Para facilitar a compreensão, veja os principais destaques do achado:
Um laboratório natural para estudar o passado do Sol
O sistema WISPIT 2 se destaca por sua semelhança com o Sol em seus estágios iniciais. Por isso, ele funciona como um verdadeiro laboratório cósmico. Os planetas detectados, chamados de WISPIT 2b e WISPIT 2c, estão imersos em um disco protoplanetário, onde gás e poeira dão origem a novos mundos.

Além disso, esses planetas ocupam regiões vazias dentro do disco, conhecidas como lacunas. Essas áreas são sinais claros de formação planetária, já que os corpos em crescimento “limpam” o material ao seu redor.
Tecnologia de ponta revela o invisível
A confirmação desses planetas só foi possível graças a instrumentos extremamente avançados, capazes de realizar observações espectroscópicas diretas. Essa técnica permite identificar a composição química e diferenciar planetas reais de simples interferências visuais.
Nesse contexto, a detecção de CO₂ foi crucial para confirmar a natureza planetária de WISPIT 2c. Além disso, os dados coletados ajudam a refinar modelos teóricos sobre como planetas gigantes se formam.
Um sistema raro e possivelmente ainda incompleto
Até o momento, apenas outro sistema semelhante é conhecido: PDS 70, que também apresenta dois planetas em formação. No entanto, o WISPIT 2 pode ir além. Evidências indicam a presença de uma terceira lacuna no disco, sugerindo que um novo planeta pode estar surgindo.
Se confirmado, isso reforçaria a ideia de que sistemas planetários se formam de maneira dinâmica e complexa, com múltiplos corpos surgindo quase simultaneamente.
Essas observações marcam uma nova era na astrofísica. Com telescópios cada vez mais poderosos, como os que estão em desenvolvimento, será possível observar diretamente a formação de sistemas completos.
Dessa forma, o estudo do sistema WISPIT 2 não apenas amplia nosso conhecimento sobre exoplanetas, mas também aproxima a ciência de responder uma das maiores perguntas da humanidade: como surgem mundos como o nosso.














