Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Escudo magnético da Terra mostra anomalia comparável ao tamanho da Europa

Dados orbitais indicam enfraquecimento expressivo na região do Atlântico Sul

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

  • Google News
Anomalia do Atlântico Sul cresce e enfraquece intensamente próximo à África (Imagem: ESA/ Finlay, CC et al., 2025) Fala Ciência

O campo magnético da Terra funciona como um escudo natural contra radiação cósmica e partículas energéticas vindas do Sol. No entanto, medições recentes mostram que esse sistema protetor está se reorganizando. A Anomalia do Atlântico Sul, extensa área de menor intensidade magnética situada entre a América do Sul e a África, continua crescendo de forma significativa.

Observações realizadas ao longo de 11 anos pela missão Swarm, coordenada pela Agência Espacial Europeia, revelam que essa região já alcança dimensões próximas à metade da Europa continental. Além disso, um setor ao sudoeste do continente africano apresenta enfraquecimento ainda mais acelerado nos últimos anos. Principais tendências identificadas:


  • Expansão contínua da área de baixa intensidade magnética;
  • Intensificação do enfraquecimento próximo à África;
  • Aumento da intensidade magnética sobre a Sibéria;
  • Diminuição do campo magnético na região do Canadá.

A origem do fenômeno está nas profundezas


A explicação para essas mudanças está no núcleo externo da Terra, localizado a cerca de 3 mil quilômetros abaixo da superfície. Essa camada é composta por ferro líquido em constante movimento, gerando correntes elétricas que produzem o campo magnético global.

Entretanto, o magnetismo terrestre não é uniforme nem estático. Ele sofre variações conforme a dinâmica interna do planeta. O estudo publicado na revista Physics of the Earth and Planetary Interiors aponta que regiões chamadas de “fluxo reverso”, onde as linhas magnéticas apresentam comportamento incomum, estão associadas ao enfraquecimento observado no Atlântico Sul.


Impactos na tecnologia espacial

Embora não represente ameaça direta para a vida na superfície, a Anomalia do Atlântico Sul é crítica para satélites e sistemas orbitais. Ao atravessar essa região, equipamentos ficam mais expostos à radiação, aumentando o risco de falhas eletrônicas e interrupções temporárias.


Por isso, o monitoramento constante é essencial para proteger infraestrutura espacial, sistemas de navegação e operações de telecomunicações.

Um planeta em permanente transformação

Outro fenômeno relevante é o deslocamento gradual do polo magnético norte em direção à Sibéria. Paralelamente, observa-se fortalecimento do campo magnético nessa região e enfraquecimento no Canadá. Essas alterações demonstram que o escudo terrestre está em constante ajuste.

Assim, a expansão da Anomalia do Atlântico Sul evidencia que o interior da Terra permanece ativo e dinâmico. Graças às medições de satélites, é possível acompanhar essas mudanças e aprimorar a compreensão sobre o funcionamento do campo magnético que protege o planeta há bilhões de anos.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.