Estudo identifica organismo terrestre capaz de sobreviver a condições semelhantes às de Marte
Experimento revela como a levedura ativa mecanismos moleculares para resistir a choques e solo tóxico semelhantes aos de Marte
Fala Ciência|Do R7

A busca por vida fora da Terra costuma focar em planetas distantes, mas uma resposta importante pode estar muito mais próxima, dentro de um microrganismo usado diariamente na produção de pão e cerveja. Pesquisadores demonstraram que a levedura Saccharomyces cerevisiae é capaz de sobreviver a condições físicas e químicas comparáveis às do planeta Marte, um ambiente considerado altamente hostil à vida.
O estudo, publicado na revista científica PNAS Nexus por cientistas do Instituto Indiano de Ciência (IISc), mostrou que esse organismo microscópico resiste tanto a ondas de choque intensas quanto a sais tóxicos de perclorato, substâncias comuns no solo marciano. Isso indica que formas simples de vida podem ser muito mais resilientes do que se imaginava. Os pesquisadores submeteram as células a dois tipos principais de estresse:
Além disso, algumas amostras foram expostas à combinação dos dois fatores, simulando cenários ainda mais extremos.
Biologia molecular como escudo contra o ambiente marciano
Apesar do estresse severo, a levedura manteve altas taxas de sobrevivência, embora com crescimento reduzido. A chave dessa resistência está na capacidade do microrganismo de formar condensados de ribonucleoproteínas (RNPs), estruturas moleculares que reorganizam o RNA mensageiro dentro da célula quando ela está sob ameaça. Esses condensados funcionam como uma espécie de sistema de emergência biológico, permitindo que a célula:
Quando essas estruturas não estavam presentes, a taxa de sobrevivência caía drasticamente, reforçando seu papel central na adaptação celular.
Novos biomarcadores para a astrobiologia
Um dos pontos mais relevantes da pesquisa é que esses condensados de RNP podem atuar como biomarcadores de vida sob estresse extremo, o que, na prática, significa que futuras missões espaciais poderiam buscar esse tipo de organização molecular como um sinal indireto de atividade biológica. Além disso, a levedura se consolida como um organismo modelo estratégico para estudos de astrobiologia, já que é fácil de cultivar, possui genética bem conhecida e apresenta respostas sofisticadas a ambientes adversos.
Os resultados indicam que a vida pode ser mais adaptável ao espaço do que se imaginava, abrindo caminho para o desenvolvimento de sistemas biológicos artificiais capazes de operar em ambientes extremos, como na produção de oxigênio e alimentos no espaço, na biorremediação de solos extraterrestres e na criação de modelos experimentais para detectar vida em outros planetas.














