Feixes de elétrons podem ser a chave para limpar o lixo espacial
Simulações mostram que feixes eletrônicos podem ajudar na remoção de detritos orbitais
Fala Ciência|Do R7

O acúmulo de lixo espacial já é considerado um dos maiores riscos para satélites, missões tripuladas e futuras operações na órbita terrestre. Fragmentos de antigos foguetes, satélites desativados e colisões passadas formam uma nuvem invisível que se desloca a velocidades extremas. Agora, um novo estudo teórico propõe uma solução ousada: usar feixes de elétrons na ionosfera para ajudar a remover esses detritos.
Tradicionalmente, uma das estratégias mais estudadas envolve lasers de alta potência, capazes de vaporizar parte da superfície dos objetos e gerar uma força de recuo. No entanto, pesquisadores vêm explorando uma alternativa potencialmente mais eficiente: a propulsão ablativa por feixe de elétrons, que pode transferir mais energia com menor perda ao longo do caminho.
De forma simplificada, essa técnica se baseia em disparar um feixe concentrado de elétrons contra um fragmento espacial, provocando aquecimento e ejeção de material. Esse processo gera um impulso que altera lentamente a órbita do objeto, empurrando-o para regiões onde ele pode reentrar na atmosfera e se desintegrar. Entre os principais conceitos envolvidos nessa proposta, destacam-se:
O desafio invisível: atravessar o plasma da ionosfera
Apesar do potencial, transmitir um feixe de elétrons por longas distâncias dentro da ionosfera, que é composta por partículas carregadas, não é trivial. O plasma pode causar divergência, espalhando o feixe, e instabilidades, que geram turbulência e perda de foco.
Para entender esses fenômenos, cientistas da Universidade Metropolitana de Osaka realizaram simulações computacionais avançadas, publicadas no Journal of Thermophysics and Heat Transfer. Os modelos analisaram diferentes densidades e velocidades de feixes eletrônicos em ambientes similares aos da ionosfera.
Os resultados mostraram que existe uma região laminar, onde o feixe mantém boa concentração e sofre pouca dispersão. Nesse regime, o plasma pode até ajudar a comprimir lateralmente o feixe, aumentando sua eficiência.
No entanto, quando certas condições são ultrapassadas, ocorre uma transição para um regime turbulento, provocado por instabilidades entre elétrons e íons. Nessa fase, o feixe perde estabilidade e se torna menos útil para aplicações práticas.
Um passo importante rumo à limpeza orbital
Embora ainda esteja no campo teórico, o estudo indica que feixes de elétrons podem se tornar uma ferramenta realista para sistemas de remoção ativa de detritos orbitais. A principal vantagem seria a possibilidade de atuar à distância, com maior eficiência energética do que lasers convencionais.
Se os desafios técnicos forem superados, essa abordagem poderá integrar futuras tecnologias de defesa orbital, ajudando a preservar a infraestrutura espacial e reduzir riscos para satélites e missões humanas.














