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Inteligência artificial identifica AVC e hemorragia quase instantaneamente

Sistema treinado com mais de 200 mil exames atinge alta precisão e pode acelerar o atendimento em neurologia

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Sistema analisa ressonância com 97% de precisão. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

A leitura de uma ressonância magnética cerebral exige precisão e rapidez. Em casos como AVC e hemorragia intracraniana, cada minuto pode significar a diferença entre recuperação e sequelas permanentes. Agora, um novo sistema de inteligência artificial promete mudar esse cenário ao interpretar exames em questão de segundos e apontar quais pacientes precisam de atendimento imediato.

O avanço foi descrito na revista Nature Biomedical Engineering, no estudo “Aprendendo modelos de neuroimagem a partir de dados em escala de sistema de saúde”, liderado por Yiwei Lyu, em fevereiro de 2026 (DOI: 10.1038/s41551-025-01608-0).


Como funciona o novo modelo de IA

O sistema, chamado Prima, é classificado como um modelo de linguagem visual. Isso significa que ele consegue analisar simultaneamente imagens médicas e informações clínicas, como histórico do paciente e motivo da solicitação do exame.


Diferentemente de ferramentas anteriores, que eram treinadas para tarefas específicas, o Prima foi alimentado com um volume massivo de dados reais de um grande sistema de saúde. O treinamento incluiu:

  • Mais de 200 mil exames de ressonância magnética
  • Cerca de 5,6 milhões de sequências de imagens
  • Dados clínicos associados a cada paciente


Como resultado, o modelo atingiu até 97,5% de precisão diagnóstica em mais de 50 condições neurológicas diferentes.

Identificação rápida de emergências neurológicas


Além de reconhecer doenças, o sistema consegue classificar a prioridade clínica de cada caso. Isso é especialmente relevante em situações como:

  • AVC isquêmico
  • Hemorragia cerebral
  • Lesões expansivas com risco de compressão

Nesses cenários, a IA pode sinalizar automaticamente a urgência e direcionar o caso ao especialista mais adequado, como um neurologista vascular ou um neurocirurgião. Assim, o fluxo de atendimento se torna mais ágil e organizado.

Consequentemente, a tecnologia tem potencial para reduzir atrasos no diagnóstico, melhorar desfechos clínicos e otimizar recursos hospitalares.

Enfrentando a sobrecarga na radiologia

A demanda por ressonância magnética cresce em ritmo acelerado no mundo todo. No entanto, o número de especialistas em neurorradiologia não acompanha essa expansão. Esse desequilíbrio contribui para:

  • Atrasos na liberação de laudos
  • Sobrecarga profissional
  • Maior risco de erros por fadiga

Ao automatizar etapas iniciais da interpretação, a IA pode funcionar como uma ferramenta de apoio clínico, ajudando a priorizar exames críticos e reduzir filas.

O que muda na prática clínica

Embora o sistema ainda esteja em fase de validação contínua, os resultados iniciais indicam que a integração entre IA e sistemas de saúde pode transformar a forma como exames de imagem são utilizados.

No futuro, tecnologias semelhantes poderão ser adaptadas para outras modalidades, como:

  • Mamografia
  • Radiografia de tórax
  • Ultrassonografia

Isso sugere um caminho em que a inteligência artificial atua como suporte à decisão médica, ampliando a eficiência sem substituir o julgamento clínico.

Perspectivas e próximos passos

Os pesquisadores pretendem incorporar ainda mais dados de prontuários eletrônicos para refinar a precisão do modelo. A meta é aproximar cada vez mais a análise automatizada da complexidade do raciocínio médico humano.

Em um cenário de crescente pressão sobre os sistemas de saúde, soluções como o Prima apontam para uma nova era na neuroimagem, na qual rapidez e precisão caminham juntas.

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