Jejum noturno ajustado ao sono melhora pressão e glicose
Pequenos ajustes no horário das refeições trazem grandes benefícios ao coração
Fala Ciência|Do R7

O horário do jantar pode ser tão importante quanto o que está no prato. Um novo estudo indica que parar de comer pelo menos três horas antes de dormir pode trazer benefícios concretos para a saúde cardiovascular e metabólica, especialmente em adultos de meia-idade e idosos com maior risco cardiometabólico.
A pesquisa foi publicada em 12 de fevereiro de 2026 na revista Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology, no estudo intitulado “Jejum noturno prolongado sincronizado com o sono melhora a função cardiometabólica noturna e diurna”, conduzido por Daniela Grimaldi e colaboradores (DOI: 10.1161/ATVBAHA.125.323355).
Ritmo biológico e alimentação
O estudo investigou se alinhar o jejum noturno ao ciclo natural de sono e vigília poderia melhorar marcadores cardiometabólicos. Diferentemente de outras abordagens, os participantes não reduziram calorias. A única mudança foi o horário das refeições.
O grupo de intervenção prolongou o jejum noturno para 13 a 16 horas, interrompendo a alimentação ao menos três horas antes de dormir. Além disso, todos os participantes reduziram a exposição à luz nesse mesmo período noturno, respeitando o ritmo circadiano, mecanismo biológico que regula funções como pressão arterial, metabolismo e frequência cardíaca.
Resultados que chamam atenção
Após 7,5 semanas, os efeitos foram mensuráveis e consistentes. Entre as principais melhorias observadas:
Essas mudanças indicam um padrão mais saudável, com maior ativação cardiovascular durante o dia e recuperação adequada à noite. Esse contraste fisiológico está associado a menor risco de doenças cardiovasculares.
Além disso, os participantes demonstraram resposta pancreática mais eficaz ao receber glicose, sugerindo melhor sensibilidade à insulina e maior estabilidade da glicemia.
Importância para a saúde cardiometabólica
A saúde cardiometabólica envolve a integração entre coração, vasos sanguíneos e metabolismo. Quando esse equilíbrio se perde, aumentam as chances de desenvolver condições como:
Portanto, estratégias simples e não farmacológicas que promovam melhor coordenação entre sono e metabolismo podem ter impacto significativo na prevenção dessas doenças.
Uma estratégia viável e de alta adesão
O estudo incluiu 39 adultos com sobrepeso ou obesidade, entre 36 e 75 anos. A taxa de adesão foi elevada, próxima de 90%, o que reforça a viabilidade da intervenção.
Diferentemente de dietas restritivas, essa abordagem foca na sincronização do horário das refeições com o sono, tornando-se mais sustentável no longo prazo. Segundo os pesquisadores, ancorar o jejum ao período de descanso pode ser uma ferramenta acessível para melhorar a saúde cardiovascular, especialmente em populações de maior risco.
O que esperar daqui para frente
Embora os resultados sejam promissores, estudos maiores e multicêntricos ainda serão necessários para confirmar os achados. No entanto, as evidências atuais sugerem que pequenos ajustes na rotina alimentar podem gerar benefícios relevantes.
Em resumo, antecipar o jantar e respeitar o ritmo biológico pode ajudar o coração a descansar melhor durante a noite e funcionar com mais eficiência durante o dia.














