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Luz distorcida pode revelar buracos negros ocultos no cosmos

Distorções na luz estelar podem denunciar pares de buracos negros antes das ondas gravitacionais

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Ilustração mostra luz estelar curvada por buracos negros binários supermassivos (Imagem: Instituto Max Planck) Fala Ciência

No coração de quase todas as grandes galáxias existe um buraco negro supermassivo. Em alguns casos raros, dois desses gigantes podem entrar em órbita mútua após a fusão de suas galáxias hospedeiras. Agora, um estudo publicado na revista Physical Review Letters sugere que a luz das estrelas ao fundo, distorcida pela gravidade extrema, pode revelar esses sistemas muito antes da colisão final.

Tradicionalmente, a principal esperança para detectar esses pares cósmicos está nas ondas gravitacionais, que deverão ser medidas por missões como a LISA. No entanto, os novos modelos indicam que a lente gravitacional pode funcionar como um alerta precoce. De forma simplificada, o fenômeno envolve:


  • Curvatura do espaço-tempo causada por massas extremas;
  • Amplificação da luz de estrelas distantes;
  • Sinais periódicos gerados pelo movimento orbital do sistema.

Uma lente cósmica em movimento constante


Quando apenas um buraco negro atua como lente gravitacional, o alinhamento precisa ser quase perfeito para produzir amplificação perceptível. Contudo, em um sistema binário, o cenário muda radicalmente.

Dois buracos negros orbitando um centro comum criam uma região dinâmica chamada curva cáustica, onde a amplificação da luz pode se repetir ao longo do tempo. À medida que o par gira, essa região varre o campo estelar ao fundo. Se uma estrela atravessar essa zona, poderá parecer subitamente mais brilhante e esse brilho pode reaparecer anos depois, acompanhando o período orbital do sistema.


Esse padrão intermitente seria uma assinatura clara de um par de buracos negros supermassivos em espiral.

Antes das ondas gravitacionais, a luz


Com o tempo, esses gigantes perdem energia orbital na forma de ondas gravitacionais, aproximando-se progressivamente até a fusão. Detectar esse processo diretamente exige instrumentos extremamente sensíveis, como o LISA, previsto para a próxima década.

Entretanto, levantamentos astronômicos amplos podem identificar as variações luminosas antes mesmo que as ondas gravitacionais se tornem detectáveis. Projetos como o Observatório Vera C. Rubin e o Nancy Grace Roman Space Telescope devem monitorar milhões de galáxias, aumentando as chances de flagrar esses sinais repetitivos.

Além disso, mudanças graduais na frequência e intensidade das amplificações podem revelar informações sobre:

  • Massa dos buracos negros;
  • Velocidade orbital;
  • Estágio evolutivo da aproximação.

Consequentemente, combinar dados eletromagnéticos (luz) com futuras medições de ondas gravitacionais inaugura uma era verdadeiramente multimensageira na astrofísica. Mais do que detectar colisões, essa estratégia permitirá reconstruir a história orbital desses sistemas e aprofundar testes sobre a gravidade em regimes extremos.

Assim, a luz distorcida que atravessa o universo pode se tornar a chave para revelar a dança silenciosa dos objetos mais enigmáticos do cosmos.

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