Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Nanobolhas ativadas por ultrassom podem revolucionar imunoterapia em tumores sólidos

Pequenas bolhas podem superar defesas resistentes do câncer

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

  • Google News
Nova técnica reduz a rigidez de tumores sólidos. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Pesquisadores da Case Western Reserve University desenvolveram uma estratégia inovadora para enfrentar uma das barreiras mais desafiadoras do tratamento oncológico: a fortaleza tumoral que impede a entrada de medicamentos e células imunológicas em tumores sólidos. 

O estudo, publicado na revista ACS Nano em 28 de janeiro de 2026, sob o título Aprimoramento da administração de imunoterapia baseada em nanopartículas lipídicas por meio da modulação da rigidez do tecido tumoral utilizando nanobolhas ativadas por ultrassom (DOI: 10.1021/acsnano.5c21787), mostra como nanobolhas ativadas por ultrassom podem remodelar o microambiente tumoral e melhorar a eficácia terapêutica.


Como os tumores criam barreiras ao tratamento

Tumores sólidos crescem cercados por um tecido denso e rígido, composto principalmente por colágeno, que funciona como uma barreira física às terapias imunológicas e medicamentos modernos, especialmente RNA transportado em nanopartículas lipídicas. Essa densidade impede que as células imunológicas e os fármacos atinjam o núcleo tumoral, reduzindo a eficácia dos tratamentos disponíveis.


Nanobolhas e ultrassom: rompendo a barreira

A técnica desenvolvida envolve a injeção de nanobolhas preenchidas com perfluoropropano, um gás inerte, diretamente no tumor. Em seguida, ondas de ultrassom agitam essas bolhas, causando uma quebra controlada da rigidez do tecido tumoral, sem destruir as células saudáveis.


  • Tumores se tornam mais macios e homogêneos
  • Maior permeabilidade para células imunológicas
  • Facilita a disseminação de terapias nanoparticuladas

Essa abordagem não cria um novo medicamento, mas potencializa tratamentos existentes e emergentes, aumentando a eficácia das terapias imunológicas. Além disso, ativa naturalmente as células T já presentes no tumor, promovendo sinais de alerta que atraem mais células imunológicas e ampliam a resposta antitumoral.


Benefícios adicionais e duração do efeito

Em modelos pré-clínicos, os tumores tratados permaneceram mais maleáveis por até cinco dias, enquanto tumores não tratados se tornaram mais rígidos e menos acessíveis. Quando nanopartículas lipídicas contendo RNA foram injetadas após o tratamento com nanobolhas, elas se dispersaram pelo tumor de forma eficiente, aumentando a resposta imune e a ação terapêutica.

Caminho para testes clínicos

Qualquer tumor passível de biópsia pode potencialmente ser tratado com nanobolhas, incluindo tumores sólidos difíceis de tratar, como os de fígado, próstata e ovário. As nanobolhas já têm aplicação clínica na detecção de câncer de próstata pela Visano Theranostics, e um pedido de Novo Medicamento Experimental (IND) será submetido à FDA nos próximos 18 meses, abrindo caminho para ensaios clínicos em até dois anos.

Impacto e perspectivas futuras

Essa pesquisa demonstra como a modulação física do microambiente tumoral pode revolucionar o tratamento oncológico, permitindo que terapias existentes alcancem seu máximo potencial. A técnica também abre portas para explorar combinações com imunoterapias emergentes e pode se tornar um padrão para tumores sólidos resistentes.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.