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Nanopartículas inteligentes podem eliminar proteínas ligadas a câncer e demência

Nova tecnologia promete atacar a raiz molecular de doenças complexas

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Proteínas alteradas podem interromper funções vitais do corpo. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Muitas das doenças mais difíceis de tratar compartilham um inimigo comum: proteínas defeituosas que se acumulam no organismo e escapam dos mecanismos naturais de limpeza celular. 

Mas, uma nova geração de nanopartículas inteligentes surge como uma possível solução para esse problema, abrindo caminho para terapias de precisão contra condições como demência, câncer e tumores cerebrais.


Como o desequilíbrio proteico afeta o funcionamento celular

As proteínas são fundamentais para praticamente todas as funções do corpo humano. No entanto, quando sofrem mutações, são produzidas em excesso ou se acumulam em locais inadequados, podem interromper processos celulares essenciais. Esse desequilíbrio está na base de diversas doenças crônicas, incluindo câncer, distúrbios neurodegenerativos e doenças autoimunes.


O grande desafio é que muitas dessas proteínas são consideradas “intratáveis”, pois não respondem bem aos medicamentos convencionais ou estão localizadas em tecidos de difícil acesso, como o cérebro.

Uma nova estratégia baseada em nanotecnologia


Pesquisadores desenvolveram uma abordagem inovadora chamada quimeras de direcionamento mediado por nanopartículas, conhecidas como NPTACs. Essas estruturas microscópicas foram projetadas para reconhecer proteínas específicas associadas a doenças e encaminhá-las diretamente para os sistemas naturais de degradação do organismo.

O conceito e o funcionamento dessa plataforma foram detalhados na revista Nature Nanotechnology, no estudo “Quimeras de direcionamento mediadas por nanopartículas transformam a degradação de proteínas direcionadas”, liderado por Bingyang Shi, publicado em janeiro de 2026 (DOI: 10.1038/s41565-025-02081-1).


Por que essas nanopartículas são diferentes?

Ao contrário de terapias tradicionais, as NPTACs não apenas bloqueiam a ação das proteínas nocivas, mas promovem sua eliminação direta. Além disso, essa tecnologia supera limitações que historicamente travaram o avanço de tratamentos inovadores.

Entre os principais diferenciais estão:

  • Atuação dentro e fora das células
  • Capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica
  • Direcionamento preciso para tecidos específicos
  • Estrutura modular, adaptável a diferentes doenças
  • Uso de nanomateriais compatíveis com padrões regulatórios

Essas características tornam a plataforma promissora para doenças nas quais a localização das proteínas sempre foi um obstáculo terapêutico.

Resultados iniciais e alvos estratégicos

Em estudos pré-clínicos, os NPTACs demonstraram eficiência contra proteínas amplamente associadas ao câncer, como EGFR, envolvida no crescimento tumoral, e PD-L1, que permite que células cancerígenas escapem da resposta imunológica.

Esses resultados iniciais indicam que a tecnologia pode ter aplicações amplas em oncologia, neurologia e imunologia, ampliando significativamente o alcance da medicina de precisão.

O futuro da degradação direcionada de proteínas

O mercado global de terapias voltadas à degradação direcionada de proteínas deve ultrapassar US$ 10 bilhões até 2030, refletindo o interesse crescente por abordagens mais eficazes e seletivas. Nesse contexto, as nanopartículas terapêuticas deixam de ser apenas veículos de entrega de fármacos e passam a atuar como agentes ativos de tratamento.

Embora ainda em fase experimental, essa tecnologia representa um avanço conceitual importante e pode redefinir a forma como doenças complexas são tratadas no futuro.

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