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Névoa viva abriga bactérias que ajudam a limpar o ar de poluentes

Pesquisa revela que gotículas de neblina funcionam como pequenos habitats para bactérias que degradam poluentes

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Bactérias vivendo na neblina ajudam a remover toxinas perigosas presentes na atmosfera. (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A neblina pode parecer apenas vapor denso suspenso no ar, mas cientistas descobriram que ela abriga um verdadeiro ecossistema microscópico. Um estudo publicado na mBio revelou que gotículas de névoa contêm bactérias vivas capazes de crescer, se multiplicar e até eliminar substâncias tóxicas presentes na atmosfera.

A descoberta foi conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona e muda significativamente a forma como a ciência entende a neblina. Em vez de ser apenas um fenômeno climático, ela também funciona como um ambiente temporário para microrganismos ativos.


Os cientistas analisaram amostras de neblina coletadas na Pensilvânia e encontraram milhões de bactérias em pequenas quantidades de água suspensa no ar. Entre os principais achados da pesquisa estão:

  • Presença de bactérias vivas dentro das gotículas de neblina;
  • Crescimento e multiplicação dos microrganismos no ambiente úmido;
  • Capacidade de degradar compostos tóxicos como formaldeído;
  • Possível influência na qualidade do ar e no clima.


Microrganismos invisíveis transformam a névoa em um habitat ativo

Os pesquisadores descobriram que menos de 1% das gotículas continham bactérias. Ainda assim, a quantidade total de microrganismos era enorme devido ao vasto número de partículas de água presentes na neblina.


Um dos grupos bacterianos mais abundantes foi o das metilobactérias, microrganismos conhecidos por consumir compostos simples de carbono. Entre essas substâncias está o formaldeído, um poluente atmosférico associado à formação de smog e a problemas respiratórios.

Cientistas descobriram microrganismos ativos dentro das gotículas microscópicas de neblina. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Ao observar as amostras em laboratório, os cientistas perceberam que as bactérias não estavam apenas sobrevivendo. Elas realmente cresciam e utilizavam o formaldeído como fonte de energia.


Esse processo pode representar uma forma natural de purificação do ar, especialmente durante eventos de neblina em áreas úmidas e de pouca circulação atmosférica.

Descoberta pode mudar estudos sobre clima e qualidade do ar

Além da importância ambiental, a pesquisa também levanta novas questões sobre o papel biológico das nuvens e da neblina na atmosfera terrestre.

Os cientistas acreditam que a atividade dessas bactérias pode influenciar processos químicos atmosféricos que ainda não são totalmente compreendidos. Isso inclui possíveis impactos sobre:

  • Qualidade do ar;
  • Formação de poluentes atmosféricos;
  • Reações químicas em nuvens;
  • Modelos climáticos e meteorológicos.

Outro ponto importante envolve a coleta de neblina para obtenção de água potável, prática estudada em algumas regiões do mundo. A descoberta mostra que essa água pode conter grande quantidade de microrganismos e, portanto, exige tratamento adequado antes do consumo.

O estudo também reforça como ambientes aparentemente simples escondem sistemas biológicos extremamente complexos. Mesmo em pequenas gotículas suspensas no ar, a vida continua desempenhando papéis essenciais no equilíbrio ambiental do planeta.

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