O Sol pode estar atrapalhando seu GPS neste momento e você nem percebe
A atividade solar pode alterar a atmosfera terrestre e provocar falhas discretas em sistemas que usamos diariamente
Fala Ciência|Do R7

Todos os dias, bilhões de pessoas usam o GPS, fazem chamadas, acessam a internet e dependem de satélites sem imaginar que existe um fator invisível capaz de interferir em tudo isso. Esse fator é o Sol. Embora ele seja essencial para a vida na Terra, sua atividade também pode provocar alterações na alta atmosfera capazes de afetar tecnologias modernas.
Na maioria das vezes, essas interferências passam despercebidas pelo usuário. Ainda assim, elas desafiam engenheiros, cientistas e operadores de sistemas espaciais, especialmente durante períodos de maior atividade solar.
Quando o Sol fica mais agitado, a Terra sente os efeitos
O Sol emite o tempo todo um fluxo de energia e partículas eletricamente carregadas. Em períodos de maior atividade, no entanto, ele pode produzir eventos muito mais intensos, como as erupções solares e as ejeções de massa coronal.
Quando esse material atinge as proximidades da Terra, ele altera a ionosfera, uma camada da atmosfera composta por gases ionizados, além de interagir com o campo magnético do planeta. Como muitos sinais de navegação e comunicação atravessam essa região, essas mudanças podem provocar pequenas variações na transmissão das informações.
Por que o GPS pode perder precisão?
O funcionamento do GPS depende do tempo que o sinal leva para viajar do satélite até o receptor.
Quando a ionosfera sofre alterações provocadas pela atividade solar, esse percurso pode mudar ligeiramente. O resultado pode ser uma redução temporária da precisão da localização.
Em situações mais intensas, também podem ocorrer:
Na maioria dos casos, os usuários comuns nem chegam a notar essas alterações, pois diversos sistemas utilizam correções automáticas para minimizar os efeitos.
Internet também pode sofrer impactos indiretos
Ao contrário do que muitos imaginam, a maior parte da internet mundial trafega por cabos submarinos de fibra óptica, e não por satélites. Mesmo assim, o clima espacial ainda pode influenciar parte da infraestrutura global.
Isso acontece porque alguns serviços utilizam satélites para comunicação, sincronização de horários ou transmissão de dados em regiões remotas. Por isso, instituições dedicadas ao monitoramento do clima espacial acompanham continuamente a atividade do Sol.
A ciência busca prever esses efeitos com cada vez mais precisão
Compreender como o Sol modifica a ionosfera tornou-se uma prioridade para proteger tecnologias cada vez mais presentes na sociedade.
Um estudo publicado na revista Rendiconti Lincei. Scienze Fisiche e Naturali, em 7 de maio de 2026, com autoria principal de Francesco Berrilli, revisou os principais desafios que a atividade solar impõe à geodésia e aos sistemas globais de navegação por satélite. O trabalho mostra como erupções solares, ejeções de massa coronal e ventos solares podem alterar o ambiente espacial próximo da Terra, comprometendo a precisão dos sinais de navegação e outras aplicações dependentes de satélites.
Embora eventos extremos sejam relativamente raros, a ciência avança para prever essas perturbações com antecedência. Isso permite que operadores ajustem satélites, protejam equipamentos e reduzam possíveis impactos antes que eles cheguem ao planeta.
No fim das contas, mesmo em dias aparentemente tranquilos, o Sol continua influenciando muito mais do que a temperatura da Terra. Ele também participa, silenciosamente, do funcionamento de várias tecnologias que fazem parte da nossa rotina.














