Pesquisadores descobrem nova ação da vitamina C em células cancerígenas
Altas doses de vitamina C aplicadas na veia podem afetar tumores de maneira diferente do suplemento comum
Fala Ciência|Do R7

Durante muito tempo, a ideia de usar vitamina C no tratamento do câncer foi vista com desconfiança. Porém, novas pesquisas estão trazendo o tema de volta ao debate científico, especialmente quando a substância é aplicada em doses muito altas diretamente na veia.
Uma revisão publicada em 2025 na revista científica Genes & Diseases, liderada por Hanzheng Zhao, analisou estudos laboratoriais e clínicos sobre o tema e concluiu que a vitamina C intravenosa apresenta mecanismos biológicos capazes de afetar células tumorais de maneira seletiva.
Os pesquisadores destacam que os efeitos observados são muito diferentes daqueles obtidos com suplementos comuns tomados por via oral.
O detalhe que mudou a visão da ciência
O interesse pela vitamina C contra o câncer começou nos anos 1970, quando o cientista Linus Pauling passou a estudar altas doses da substância em pacientes com câncer avançado.
Na época, muitos especialistas criticaram a hipótese porque estudos posteriores não encontraram benefícios relevantes usando comprimidos de vitamina C.
Anos depois, os cientistas perceberam que havia uma diferença importante: os primeiros experimentos utilizavam vitamina C intravenosa, enquanto muitos testes seguintes avaliaram apenas a forma oral.
Isso faz diferença porque o organismo limita bastante a absorção da vitamina pelo intestino. Já a aplicação na veia consegue elevar a concentração no sangue a níveis extremamente altos.
Quando a vitamina C deixa de agir como antioxidante
Normalmente, a vitamina C é conhecida por atuar como antioxidante, ajudando a proteger as células.
Porém, segundo a revisão publicada na Genes & Diseases, em concentrações muito elevadas a substância pode ter um comportamento diferente e produzir peróxido de hidrogênio, uma molécula altamente reativa.
Esse processo parece atingir principalmente as células cancerígenas, que já vivem sob intenso estresse metabólico.
Os estudos analisados mostram que o excesso de vitamina C pode:
Enquanto isso, as células saudáveis possuem mecanismos de proteção mais eficientes e tendem a sofrer menos impacto.
Estudos iniciais mostram resultados promissores
Nos últimos anos, pesquisas investigaram o uso da vitamina C intravenosa em tumores agressivos, incluindo:
Segundo a revisão liderada por Hanzheng Zhao, muitos pacientes toleraram bem a terapia quando acompanhados por equipes médicas especializadas. Além disso, alguns estudos observaram melhora em sintomas ligados à quimioterapia, como:
Os pesquisadores também analisam a possibilidade de a vitamina C ajudar o sistema imunológico a identificar tumores com maior eficiência.
A terapia ainda é considerada experimental
Apesar dos resultados animadores, os cientistas alertam que ainda faltam estudos maiores para confirmar os benefícios da vitamina C intravenosa no tratamento do câncer.
A revisão da Genes & Diseases destaca que ainda existem dúvidas importantes sobre:
Por isso, a vitamina C intravenosa ainda não substitui terapias como:
Além disso, o tratamento precisa de supervisão médica, principalmente em pessoas com problemas renais ou doenças genéticas raras.
A ciência continua investigando o potencial da vitamina C
As pesquisas atuais mostram que a vitamina C em altas doses talvez tenha um papel mais complexo no câncer do que se imaginava décadas atrás.
Embora ainda não exista comprovação definitiva de cura, os estudos modernos indicam que a substância pode atuar como terapia complementar em situações específicas.
Agora, os cientistas buscam entender quais pacientes realmente podem se beneficiar dessa abordagem e até onde esse tratamento experimental poderá chegar no futuro.













